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• Negociar preço considerando volume do SUS, comparação internacional, custo total da jornada, alternativas
terapêuticas, investimento local e compromisso de geração de capacidade tecnológica.
• Vincular incentivos públicos a contrapartidas: transferência efetiva de conhecimento, desenvolvimento de
fornecedores, pesquisa clínica no Brasil, formação de pessoas e segurança de abastecimento.
Pesquisa clínica como política de desenvolvimento
• Criar rede nacional de centros de pesquisa clínica do SUS, com contratos, ética, dados e monitoramento mais
ágeis e padronizados.
• Atrair estudos de fase inicial e de tecnologias avançadas, sem transformar o Brasil apenas em recrutador de
pacientes; exigir desenvolvimento de competências e participação científica nacional.
• Usar ensaios pragmáticos e dados de mundo real para avaliar efetividade após incorporação, apoiando
desinvestimento quando a tecnologia não entregar o valor esperado.
PROPOSTA Reduzir dependência externa e ampliar a participação brasileira nas tecnologias que mais
pressionarão o SUS nas próximas décadas.
META 2030
Até 2030: carteira nacional de produtos estratégicos com metas de nacionalização; pelo menos uma
rede pública nacional operacional para terapias celulares/gênicas; ampliação mensurável da
produção nacional de vacinas, imunobiológicos, biossimilares e medic amentos de alto custo; 100%
das novas incorporações de altíssimo impacto avaliadas quanto à possibilidade de negociação por
risco, desfecho ou transferência tecnológica.
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Ação 14 — Profissionais, gestão, qualidade e financiamento
Nenhuma transformação se sustenta sem profissionais qualificados, boa gestão e financiamento orientado a
resultado. O sistema deve reconhecer diferenças regionais, reduzir vazios de especialistas e medir
desempenho com justiça.
Força de trabalho para o SUS do futuro
• Planejar nacionalmente necessidades de médicos, enfermagem, multiprofissionais, especialistas, intensivistas,
emergencistas, saúde mental, oncologia, geriatria, pediatria, saúde indígena, tecnologia e gestão.
• Expandir formação e residência onde houver vazios assistenciais, com incentivos para fixação territorial,
carreira acadêmico - assistencial e educação permanente.
• Criar programas nacionais de qualificação em emergência, UTI, telessaúde, segurança do paciente, dados e uso
responsável de IA.
Valorizar e cuidar de quem cuida
• Proteção e desenvolvimento dos profissionais. Fortalecer educação permanente, segurança no trabalho, apoio
à saúde mental e prevenção de violência e burnout, além de exigir campos de prática, preceptoria e avaliação
de qualidade na formação.
Gestão por qualidade e valor
• Criar Painel Nacional de Eficiência do SUS com mortalidade ajustada, espera, permanência, reinternação,
infecção, ocupação, produtividade, custo, experiência do paciente e desfechos.
• Comparar unidades de perfil semelhante para identificar oportunidades de melhoria e direcionar apoio técnico,
não para produzir rankings simplistas.
• Migrar progressivamente de pagamento exclusivamente por produção para modelos que também considerem
população, complexidade, qualidade, eficiência e resultados.
Pacto federativo e financiamento responsável
• Regras simples, responsabilidades claras e contratos auditáveis. Simplificar habilitação e normas, combinar
base populacional, vulnerabilidade, capacidade instalada e desempenho e estruturar contratos orientados à
jornada real do paciente, ao acesso, à qualidade, à segurança e ao resultado.
Avaliação de tecnologias e desinvestimento
• Reforçar capacidade de avaliação econômica e de impacto orçamentário; monitorar tecnologias após
incorporação e rever financiamento quando benefício real não se confirmar.
• Reduzir judicialização evitável por meio de incorporação mais previsível, protocolos transparentes, negociação
de alto custo e acesso organizado.
PROPOSTA Fazer cada real produzir mais acesso, qualidade e saúde.
META 2030
Até 2030, painel público nacional de desempenho para redes e hospitais estratégicos; parcela
crescente do financiamento federal associada a qualidade e resultado; plano nacional de força de
trabalho com metas regionais e indicadores anuais de vazios assist enciais.
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Ação 15 — Doenças raras e avaliação tecnológica
Pessoas com doenças raras e suas famílias enfrentam uma jornada marcada por diagnóstico tardio,
concentração regional dos centros de referência, incerteza de acesso e alta judicialização. A resposta nacional
combinará coordenação assistencial, avaliação te cnológica adequada a populações pequenas, registro de
desfechos e negociação responsável de terapias de alto custo.
Coordenação nacional, cadastro e fluxo assistencial
• Coordenação nacional e cadastro. Organizar centros de referência, diagnóstico, tratamento multidisciplinar,
aconselhamento, reabilitação e telemedicina, reduzindo o tempo até o diagnóstico e as desigualdades regionais.
Avaliação adequada a populações pequenas
• Avaliação tecnológica proporcional e transparente. Considerar desfechos relevantes ao paciente, história
natural, dados de vida real, análise multicritério, impacto orçamentário e revisão periódica, preservando rigor
técnico, independência e transparência.
Risco compartilhado, compras coordenadas e pesquisa
• Acesso sustentável e geração de evidências. Usar pagamento por desempenho para terapias de alto custo
quando adequado, registrar resultados, negociar em escala, evitar interrupções de tratamento e fortalecer
triagem neonatal, genômica, medicina de precisão e produção nacional.
PROPOSTA Reduzir o tempo até o diagnóstico e organizar acesso equitativo e sustentável ao cuidado das
doenças raras.
META 2030
Até 2030, cadastro e fluxo nacional implantados, centros de referência articulados regionalmente,
indicadores públicos de tempo até o diagnóstico e registro de desfechos para terapias de alto custo
elegíveis.
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Governança e implementação
O programa será executado por missões nacionais, cada uma com linha de base, meta, indicador, fonte de
dados, periodicidade, responsável institucional e plano federativo. A União deverá coordenar padrões
nacionais e financiamento estratégico; estados organ izarão redes regionais e alta complexidade; municípios
fortalecerão APS, vigilância e execução local. As comissões intergestores serão centrais na pactuação.
• 2027 — diagnóstico operacional e linha de base: mapear filas, vazios assistenciais, capacidade produtiva,
interoperabilidade, força de trabalho e indicadores de qualidade.
• 2027 – 2028 — implantação prioritária: regulação inteligente, busca ativa na APS, redes tempo - dependentes, saúde
da mulher e indígena, centrais de comando, interoperabilidade e projetos industriais estratégicos.
• 2029 — expansão e correção de desigualdades: ampliar modelos que demonstraram resultado e direcionar
investimento para regiões com maior déficit.
• 2030 — avaliação nacional independente: medir metas, efetividade, eficiência, equidade e sustentabilidade;
publicar resultados e plano para o ciclo seguinte.
Toda política deverá incorporar avaliação de impacto, transparência de dados, participação social, auditoria
e mecanismos de correção. Metas deverão ser ajustadas quando a linha de base oficial revelar inviabilidade
técnica ou, ao contrário, oportunidade d e ambição maior.
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Metas nacionais para 2030
# META RESULTADO 2030
1 Filas prioritárias Reduzir em ≥50% o tempo mediano nas regiões de maior espera; 100% das filas estratégicas com
prioridade clínica e rastreabilidade.
2 Atenção Primária Reduzir em 20% internações por condições sensíveis à APS; 100% das equipes com estratificação
de risco e teleconsultoria.
3 Cardiovascular Meta indicativa de redução de 30% da mortalidade cardiovascular prematura; rotas regionais
formais para infarto e AVC em 100% das regiões.
4 Câncer 100% dos casos suspeitos prioritários com relógio assistencial; redução mensurável do diagnóstico
tardio dos tumores prioritários.
5 Saúde da mulher Meta indicativa de redução de 30% da mortalidade materna; referência de alto risco e linhas de
endometriose/climatério em todas as regiões.
6 Infância Seguimento de 100% dos prematuros de maior risco; redução sustentada da mortalidade infantil e
desigualdade territorial.
7 Vacinação ≥95% de cobertura nas vacinas prioritárias para as quais essa meta é indicada, com busca ativa
nominal.
8 Saúde mental RAPS organizada em 100% das regiões; 90% dos pacientes de alto risco pós - emergência com
seguimento estruturado.
9 Idosos 90% dos idosos acompanhados na APS com avaliação funcional; plano de cuidado para 100% dos
frágeis/alto risco.
10 Saúde indígena 100% dos DSEIs com plano assistencial/logístico, referência de média/alta complexidade e painel
de indicadores territoriais.
11 SAMU e UTI 100% de cobertura populacional do SAMU; reduzir em ≥50% espera mediana por UTI nas regiões
mais críticas.
12 Dados em saúde Histórico clínico digital essencial interoperável disponível progressivamente para 100% dos
cidadãos.
13 Hospitais inteligentes 100% dos hospitais estratégicos do SUS integrados a gestão digital, indicadores de qualidade e
segurança.
14 Produção nacional Aumentar participação nacional em vacinas, imunobiológicos, biossimilares e medicamentos
estratégicos, com carteira e metas públicas de nacionalização.
15 Terapias avançadas Rede pública nacional operacional de terapia celular/gênica, com centros credenciados, registro
de desfechos e capacidade produtiva nacional.
16 Alto custo 100% das novas tecnologias de altíssimo impacto avaliadas para negociação de preço,
compartilhamento de risco e/ou transferência tecnológica.
17 Pesquisa e
universidades
Rede nacional integrando universidades, hospitais universitários, Fiocruz, Butantan e ICTs em
missões tecnológicas do SUS.
18 Gestão e valor Painel nacional de qualidade e eficiência e incorporação progressiva de resultados aos
mecanismos de financiamento.
19 Força de trabalho Plano nacional de necessidades e vazios profissionais com metas regionais de formação,
provimento e retenção.
20 Transparência Relatório anual público de execução das missões, com linha de base, meta, resultado,
desigualdade regional e correções de rota.
21 Doenças raras
Cadastro e fluxo nacional implantados; centros de referência articulados por região; redução
mensurável do tempo até o diagnóstico e uso de acordos de risco compartilhado nas terapias
elegíveis.