[Página 81]
Plano de Governo 2027 a 2030 · PSD · Caiado e Kassab 81
Ação 5 — Saúde da mulher ao longo de toda a vida
A saúde da mulher não pode ser reduzida à gestação. A política nacional deverá integrar adolescência, saúde
sexual e reprodutiva, maternidade segura, prevenção cardiovascular, câncer, endometriose, saúde mental,
climatério, menopausa, saúde óssea e envelhe cimento.
Maternidade segura e redução da mortalidade materna
• Classificar risco desde o pré - natal, garantir referência para gestação de alto risco e integrar maternidade,
regulação, banco de sangue, UTI materna e transporte.
• Implantar vigilância em tempo real de sinais de gravidade obstétrica, protocolos para hemorragia, hipertensão,
sepse e tromboembolismo e revisão de óbitos maternos com plano corretivo.
• Garantir cuidado estruturado no puerpério, incluindo saúde cardiovascular e saúde mental materna.
Rastreamento e diagnóstico rápido
• Busca ativa para câncer do colo do útero e mama, com jornada completa do exame alterado até biópsia e
tratamento.
• Organizar acesso a diagnóstico e tratamento de endometriose, dor pélvica, sangramento uterino anormal e
outras condições que frequentemente levam anos até o diagnóstico.
Climatério, menopausa e doenças crônicas
• Criar linha de cuidado para climatério e menopausa na APS, com avaliação individualizada de sintomas, risco
cardiovascular, saúde óssea, sono, saúde mental e sexual.
• Incluir risco cardiovascular feminino e prevenção de osteoporose nos protocolos de cuidado ao longo da vida.
Violência e vulnerabilidade
• Integrar saúde, assistência social e rede de proteção para identificação e atendimento de mulheres em situação
de violência, com fluxos seguros e acesso a cuidado físico e psicológico.
PROPOSTA Reduzir mortes evitáveis e garantir cuidado integral em todas as fases da vida.
META 2030
Meta nacional indicativa: reduzir em 30% a razão de mortalidade materna até 2030; 100% das
regiões com referência de alto risco obstétrico e linha de cuidado para endometriose e climatério;
ampliar rastreamento organizado de mama e colo uterino com busca a tiva e rastreabilidade.
[Página 82]
Plano de Governo 2027 a 2030 · PSD · Caiado e Kassab 82
Ação 6 — Brasil começa pela infância
Os primeiros anos de vida concentram oportunidades únicas de prevenção e desenvolvimento. O núcleo
intensivo será dos primeiros 2.000 dias, dentro de uma linha de cuidado que acompanhe a criança de forma
longitudinal.
Do pré - natal à primeira infância
• Integrar pré - natal, parto, puerpério, aleitamento, nutrição, vacinação, crescimento, desenvolvimento
neuropsicomotor, saúde mental, visão, audição e saúde bucal.
• Criar Passaporte Digital da Criança, integrado ao prontuário nacional, com alertas de vacinação atrasada,
ausência em acompanhamento e triagens pendentes.
• Garantir seguimento pós - alta de prematuros e crianças de alto risco e apoio por telepediatria nas regiões sem
especialistas suficientes.
Desenvolvimento como desfecho
• Além de mortalidade infantil, acompanhar desenvolvimento saudável: crescimento, nutrição, vacinação,
linguagem, cognição, visão, audição e saúde emocional.
• Buscar ativamente crianças com atraso de desenvolvimento e organizar acesso precoce a diagnóstico,
estimulação e reabilitação.
PROPOSTA Reduzir mortalidade evitável e aumentar o potencial de desenvolvimento infantil.
META 2030
Até 2030, 100% das regiões com suporte pediátrico especializado presencial ou por telessaúde;
plano de seguimento para 100% dos prematuros de maior risco; redução adicional e sustentada da
mortalidade infantil e das desigualdades regionais, com linha de ba se de 2027.
[Página 83]
Plano de Governo 2027 a 2030 · PSD · Caiado e Kassab 83
Ação 7 — Longevidade com autonomia
O envelhecimento é uma conquista. A resposta do sistema deve ser preservar função, independência e
participação social, e não apenas acumular diagnósticos e prescrições.
Fragilidade, quedas e demência
• Implantar avaliação funcional e de vulnerabilidade na APS para pessoas idosas acompanhadas regularmente.
• Criar programa nacional de prevenção da fragilidade, quedas e fraturas, com exercício, nutrição, revisão de
medicamentos, visão, audição e avaliação domiciliar.
• Implantar linha de cuidado para demência em todas as regiões, com teleconsultoria e referência especializada.
Reabilitação, domicílio e continuidade
• Garantir avaliação de reabilitação após AVC, fratura, cirurgia, internação prolongada ou doença crítica.
• Atenção domiciliar, deficiência e continuidade do cuidado: expandir atenção domiciliar para idosos
dependentes, ampliar apoio às pessoas com deficiência e integrar saúde e assistência social no plano de cuidado
quando houver perda de autonomia.
• Criar revisão estruturada de polifarmácia e suporte aos cuidadores.
Hospital amigo da pessoa idosa
• Adotar mobilização precoce, prevenção de delirium, preservação do sono, nutrição, redução de dispositivos
desnecessários e planejamento de alta.
PROPOSTA Medir anos de vida saudável e capacidade funcional, e não somente longevidade.
META 2030
Até 2030, 90% dos idosos acompanhados regularmente pela APS com avaliação funcional
atualizada; plano individual para 100% dos frágeis ou de alto risco; 90% dos elegíveis após fratura
de fragilidade com avaliação de osteoporose e prevenção secundária.
[Página 84]
Plano de Governo 2027 a 2030 · PSD · Caiado e Kassab 84
Ação 8 — Saúde mental como prioridade nacional
A política de saúde mental deve começar antes da crise, estar próxima da comunidade e funcionar de forma
integrada ao restante do SUS.
A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) deve articular Atenção Primária à Saúde (APS), Centros de Atenção
Psicossocial (CAPS), urgência e emergência, atenção especializada, hospitais, psicologia e assistência social,
garantindo continuidade do cuidado e evit ando que o paciente se perca entre serviços.
Os CAPS permanecem essenciais para os casos de maior complexidade, mas não podem ser a única porta de
entrada para uma demanda que atravessa todas as idades e diferentes graus de gravidade. A Atenção
Primária deve assumir papel central na prevenção, identi ficação precoce, acompanhamento longitudinal e
encaminhamento oportuno, com apoio matricial, teleconsultoria e referência especializada sempre que
necessário.
Rede integrada de cuidado
• Fortalecer a saúde mental na Atenção Primária: capacitar as equipes para reconhecer e manejar condições
comuns, identificar sinais de gravidade e garantir acesso rápido ao cuidado especializado.
• Expandir a RAPS conforme necessidade regional: mapear vazios assistenciais de CAPS, CAPSi, CAPS AD, CAPS
III e leitos de saúde mental em hospitais gerais e direcionar a expansão para os territórios de maior necessidade.
• Garantir continuidade entre os serviços: criar fluxos formais entre APS, CAPS, urgência e emergência,
psiquiatria, psicologia, hospitais e assistência social, com plano terapêutico e equipe de referência definidos
para os pacientes de maior risco.
• Cuidar depois da crise: todo paciente de alto risco atendido em emergência ou hospital deverá ter
encaminhamento estruturado, comunicação com a rede responsável e acompanhamento após a alta.
Grupos prioritários
A política deverá prever estratégias específicas para:
• crianças e adolescentes;
• gestantes e puérperas;
• idosos;
• pessoas com depressão e ansiedade;
• pessoas com transtornos mentais graves;
• pessoas com problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas;
• populações em situação de maior vulnerabilidade social.
Álcool e outras drogas: prevenção, cuidado e evidência
O uso prejudicial de álcool e outras drogas deve ser enfrentado como questão de saúde pública, proteção
social e segurança, com responsabilidades claramente distribuídas entre os diferentes setores do Estado.
Na saúde, a prioridade será:
prevenir o início e o uso problemático → identificar precocemente pessoas em risco → oferecer tratamento
baseado em evidências → garantir atendimento adequado às crises → assegurar continuidade do cuidado e
reinserção social.
A política deverá reconhecer diferentes níveis de gravidade e oferecer respostas proporcionais, evitando
soluções únicas para situações clínicas distintas.
• Prevenção: ampliar ações educativas e preventivas, especialmente entre crianças e adolescentes, com
participação das escolas, famílias, Atenção Primária e redes de proteção.
• Cuidado regionalizado: garantir referência para álcool e outras drogas em todas as regiões de saúde, integrando
APS, CAPS AD, emergência e hospital.
• Populações prioritárias: desenvolver estratégias específicas para adolescentes, gestantes, pessoas em situação
de rua, pessoas privadas de liberdade e famílias afetadas pelo uso problemático de substâncias.
• Redução de danos e prevenção de intoxicações: incorporar estratégias de redução de danos, vigilância
epidemiológica, monitoramento de novas substâncias e fortalecimento da capacidade de resposta das
emergências.
• Integração com outras políticas públicas: articular saúde, assistência social, educação, justiça e segurança
pública.
[Página 85]
Plano de Governo 2027 a 2030 · PSD · Caiado e Kassab 85
Gestão orientada por resultados
A política de saúde mental não será avaliada apenas pelo número de consultas ou serviços existentes. Deverão
ser monitorados:
tempo até primeiro acolhimento → acesso territorial → continuidade do cuidado → reinternações →
recorrência de atendimentos de emergência → abandono do tratamento → funcionalidade →
mortalidade.
Também deverá ser criado Painel Nacional de Saúde Mental e Álcool e Outras Drogas , com indicadores
nacionais, estaduais e regionais.
PROPOSTA Garantir porta de entrada, referência responsável e continuidade do cuidado em todas as regiões.
META 2030
Até 2030, 100% das regiões com desenho completo da RAPS; 100% das equipes de Saúde da Família
com acesso a protocolo e apoio especializado; pelo menos 90% dos pacientes de alto risco
atendidos em emergência com seguimento estruturado.