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E essa transformação é viável. Não se trata de substituir médicos, enfermeiros ou o cuidado humano por
máquinas. Trata - se exatamente do contrário: utilizar tecnologia para devolver tempo aos profissionais,
inteligência à gestão e acesso ao cidadão. Um sist ema que conheça sua população, antecipe necessidades e
organize recursos de acordo com risco e prioridade pode cuidar de mais pessoas, com maior qualidade e
utilizando melhor cada real investido.
O Brasil precisa avançar de um sistema fragmentado e predominantemente reativo para uma rede integrada,
preventiva, digital e orientada por resultados. Da fila cronológica para a prioridade clínica. Do prontuário
isolado para a informação que acompanha o c idadão. Da doença descoberta tarde para o risco identificado
cedo. Do desperdício para a eficiência. Da desigualdade de acesso para uma saúde que chegue a todos.
Nosso compromisso para 2027 – 2030 é iniciar essa transformação: construir um sistema de saúde mais
humano porque é mais integrado, mais justo porque chega a quem mais precisa, mais moderno porque utiliza
ciência e tecnologia e mais sustentável porque transf orma inovação em eficiência.
O futuro da saúde brasileira não será construído apenas com mais hospitais, mais equipamentos ou mais
recursos. Será construído pela capacidade de organizar melhor o sistema, prevenir mais doenças, utilizar
melhor a tecnologia e colocar cada brasileiro no centro do cuidado.
A diretriz central é simples: cuidar melhor, mais cedo e com maior eficiência. Isso significa organizar filas
por prioridade clínica; fortalecer a Atenção Primária; estruturar redes para câncer, doenças
cardiovasculares, acidente vascular cerebral, saúde m ental, infância, envelhecimento, saúde da mulher,
população indígena e paciente crítico; integrar dados; modernizar hospitais; valorizar profissionais; e usar o
poder do Estado para fortalecer ciência, produção e soberania sanitária.
O SUS que iremos construir
MODELO A SUPERAR DIREÇÃO 2027 – 2030
Reativo Preventivo e preditivo
Fila cronológica Prioridade clínica e prazo assistencial
Serviços fragmentados Redes integradas de cuidado
Prontuários isolados Informação interoperável
Hospitalocentrismo Atenção primária forte + rede regionalizada
Volume de procedimentos Qualidade, desfecho e valor
Tecnologia majoritariamente importada Capacidade nacional de inovar e produzir
Gestão processual Gestão por resultados
Princípios de execução
• Prevenção e antecipação de risco: o sistema deve agir antes da doença e da complicação, fortalecendo promoção
da saúde, vacinação, rastreamento baseado em evidências, diagnóstico precoce, controle de fatores de risco e
acompanhamento ativo das populações mais vulneráveis.
• Federalismo cooperativo: a União define padrões nacionais, financia prioridades estratégicas, integra
informações e induz qualidade; estados e municípios executam de forma regionalizada, respeitando as
necessidades de cada território.
• Prioridade clínica e equidade: risco, gravidade, vulnerabilidade, tempo de espera e desigualdades territoriais
devem orientar o acesso aos serviços, a regulação e a alocação de investimentos.
• Responsabilidade fiscal e valor em saúde: incorporar tecnologias com evidência, negociar preços, estimular
contratos baseados em desempenho, medir desfechos, reduzir desperdícios e direcionar recursos para
intervenções de maior impacto sanitário.
• Transparência e gestão por resultados: estabelecer metas públicas, indicadores comparáveis, monitoramento
contínuo e avaliação periódica de acesso, qualidade, eficiência e desfechos.
• Ciência, inovação e soberania sanitária: integrar universidades, Fiocruz, Instituto Butantan, hospitais
universitários, institutos de pesquisa, laboratórios públicos e indústria em uma rede nacional capaz de
transformar conhecimento científico em medicam entos, vacinas, imunobiológicos, terapias avançadas,
diagnósticos e tecnologias produzidos no Brasil.
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• Integração e continuidade do cuidado: garantir que Atenção Primária, especialistas, hospitais, urgência,
reabilitação, assistência farmacêutica e cuidado domiciliar funcionem como partes de uma mesma rede, com
informação acompanhando o cidadão ao longo d e sua trajetória.
• Humanização e tecnologia a serviço das pessoas: utilizar tecnologia para ampliar acesso, reduzir burocracia,
apoiar decisões e devolver tempo aos profissionais e aos pacientes, preservando sempre o julgamento clínico, a
autonomia profissional e a relação humana no cuidado.
Propostas para 2027 – 2030
Todas as ações a seguir propostas demandam articulação e coordenação entre União ,
Estados e Municípios.
Ação 1 — Zerar a espera evitável
Criar um Sistema Nacional de Acesso e Regulação Inteligente que substitua progressivamente a fila passiva
por uma jornada clínica rastreável. A posição do cidadão não será definida apenas pela data do pedido, mas
por gravidade, risco de progressão, impacto do atraso, vulnerabilidade e tempo já transcorrido.
Sistema Nacional de Acesso e Regulação Inteligente
• Integrar consultas especializadas, exames, cirurgias, oncologia, cardiologia, neurologia, reabilitação e
procedimentos de alta complexidade em plataformas interoperáveis.
• Adotar critérios nacionais de prioridade clínica e reavaliação dinâmica; pacientes que piorarem terão sua
prioridade atualizada.
• Permitir ao cidadão acompanhar situação do pedido, prioridade, prazo estimado e serviço responsável, com
canais digitais e não digitais.
Centrais de comando e gestão ativa das agendas
• Acompanhar filas, capacidade ociosa, cancelamentos, absenteísmo, salas cirúrgicas, equipamentos, leitos e
distribuição territorial da demanda.
• Usar análise de dados e inteligência artificial como apoio auditável à identificação de gargalos, duplicidades,
risco de deterioração e alternativas assistenciais.
• Reaproveitar cancelamentos e vagas ociosas em tempo real, regionalizando a capacidade em vez de limitar o
paciente a um único serviço.
Atenção Primária à Saúde (APS) responsável enquanto o paciente espera
• A UBS continuará acompanhando o cidadão até a consulta, exame ou procedimento, com acesso à prioridade e
ao plano assistencial.
• Teleconsultoria entre APS e especialista deverá resolver parte dos casos sem encaminhamento presencial e
qualificar os encaminhamentos necessários.
Rede regional e contratos orientados a valor
• Oferta regional integrada e contratualização inteligente. Definir carteira de serviços, referências e transporte
sanitário por região; mobilizar hospitais públicos, filantrópicos, universitários e privados contratados quando
necessário; e combinar pagamento por produção com população, complexidade, acesso, quali dade, desfecho,
segurança e eficiência.
PROPOSTA Reduzir o tempo de espera nas principais linhas de cuidado eletivas e eliminar espera sem
prioridade, sem acompanhamento e sem transparência.
META 2030
Até 2030, reduzir em pelo menos 50% o tempo mediano das filas prioritárias nas regiões com
maior espera, usando 2027 como linha de base; 100% das filas estratégicas com prioridade clínica,
rastreabilidade e indicador público.
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Ação 2 — Um SUS preventivo e resolutivo
A Estratégia Saúde da Família deve continuar sendo a principal porta de entrada do SUS, mas precisa evoluir
de um modelo centrado em atender quem procura para outro capaz de conhecer sua população, identificar
risco e buscar ativamente quem precisa.
Nova geração da Atenção Primária
• Vincular progressivamente cada cidadão a uma equipe de referência, com histórico longitudinal, estratificação
de risco e plano de cuidado quando indicado.
• Busca ativa e Programa Nacional de Crônicos: criar listas nominais e acompanhamento ativo para
hipertensão, diabetes, obesidade, alto risco cardiovascular, doença renal, vacinação, câncer, gestação de risco,
fragilidade do idoso e pós - alta, com metas clínicas, atividade física, nutrição, adesão ao tr atamento e apoio
digital.
• Modernizar UBS com conectividade, prontuário interoperável, prescrição eletrônica, telemedicina, ECG
conectado, testes rápidos e diagnóstico básico conforme necessidade regional.
• Centro de Comando da Atenção Primária: implantar painéis populacionais municipais e regionais capazes de
integrar informações sobre população cadastrada, estratificação de risco, doenças crônicas, prevenção,
vacinação, rastreamentos, internações, uso de serviços de emergência e continuidade do cuidado. Esses painéis
permitirão identificar territórios com pior controle de hipertensão e diabetes, baixa cobertura vacinal, maior
abandono de tratamento ou maior número de internações evitáveis, orientando equip es, recursos e programas
para onde houver maior necessidade.
Integração com especialistas e hospitais
• Criar rede nacional de teleconsultoria para apoiar médicos e enfermeiros da APS.
• Toda alta de paciente de alto risco deverá gerar comunicação eletrônica à equipe territorial, com reconciliação
de medicamentos e plano de seguimento.
• Medir APS por controle de doenças, vacinação, diagnóstico precoce, internações evitáveis e mortalidade
prematura, não apenas por número de consultas.
Financiamento com equidade e resultado
• Recursos orientados à necessidade e ao impacto. Considerar vulnerabilidade, vazios assistenciais, vacinação,
controle de doenças crônicas, pré - natal, saúde bucal, saúde mental, internações evitáveis, continuidade pós - alta
e satisfação do usuário.
PROPOSTA Transformar cobertura nominal em vínculo, prevenção e resultado clínico.
META 2030
Até 2030, 100% das equipes de Saúde da Família com acesso a teleconsultoria e ferramentas de
estratificação de risco; reduzir em 20% as internações por condições sensíveis à APS, com metas
regionais ajustadas à linha de base de 2027.
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Ação 3 — Brasil cardiovascular: prevenir, reconhecer e tratar a tempo
Doença coronária (infarto) e o acidente vascular cerebral (AVC) exigem uma política que una prevenção
populacional e tratamento tempo - dependente. O CEP do brasileiro não pode determinar sua chance de
sobreviver a um infarto ou AVC sem sequelas evitáveis.
Prevenção baseada em risco
• Estratificar risco cardiovascular na APS e intensificar controle de hipertensão, diabetes, dislipidemia, obesidade,
tabagismo, doença renal, fibrilação atrial e insuficiência cardíaca.
• Criar busca ativa dos pacientes persistentemente fora de meta e transição estruturada de cuidado após infarto
ou AVC.
Rede nacional de infarto e AVC
• Organizar hemodinâmica regional 24/7, ECG conectado no SAMU e trombólise pré - hospitalar onde o acesso à
angioplastia não ocorrer no tempo recomendado.
• Expandir Centros de AVC, TeleAVC 24/7 e acesso regional à trombectomia mecânica para pacientes elegíveis.
• Implantar Centrais de Comando Cardiovascular e Neurovascular integrando ambulância, regulação,
ECG/imagem, disponibilidade hospitalar e tempo até reperfusão.
• Usar transporte aeromédico em regiões onde a barreira geográfica impedir tratamento dentro da janela
terapêutica.
Diagnóstico precoce da doença coronariana
• Se incorporada conforme avaliação regular de tecnologia, estruturar rede regional regulada de angiotomografia
coronariana com indicação clínica, qualidade e laudo especializado.
PROPOSTA Reduzir mortalidade cardiovascular prematura e desigualdade territorial no acesso à reperfusão.
META 2030
Meta nacional indicativa: reduzir em 30% a mortalidade cardiovascular prematura até 2030; 100%
das regiões com rota formalizada para infarto e AVC e 100% dos pacientes elegíveis com estratégia
de reperfusão definida segundo protocolo.
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Ação 4 — Brasil contra o câncer
A política nacional contra o câncer deve começar antes do diagnóstico. O objetivo é prevenir os cânceres
evitáveis, ampliar o rastreamento e o diagnóstico precoce, acelerar a investigação dos casos suspeitos e
garantir acesso oportuno à cirurgia, radiotera pia e terapias sistêmicas, reduzindo atrasos que comprometem
a chance de cura e a sobrevida.
Prevenção e rastreamento organizado
• Ampliar vacinação contra HPV, combate ao tabagismo, obesidade, consumo nocivo de álcool e exposições
carcinogênicas.
• Migrar do rastreamento oportunístico para programas organizados: identificar população elegível, convocar,
realizar exame, acompanhar resultado e concluir investigação.
• Expandir o rastreamento baseado em DNA - HPV e organizar fluxos de mama, colo uterino e colorretal conforme
diretrizes nacionais e capacidade instalada.
Via rápida do câncer
• Criar categoria regulatória própria para suspeita de câncer e um relógio digital desde a suspeita até diagnóstico
e tratamento.
• Assegurar o cumprimento efetivo dos prazos legais já existentes; investigação diagnóstica em até 30 dias quando
houver suspeita fundamentada de neoplasia maligna e início do primeiro tratamento em até 60 dias após o
diagnóstico, com monitoramento individ ual da trajetória de cada paciente. O compromisso do próximo governo
não será criar prazos, mas fazer os prazos existentes acontecerem na prática e medi - los paciente por paciente .
• Integrar anatomia patológica, telepatologia , imuno - histoquímica, diagnóstico molecular e imagem oncológica em
redes regionais.
• Separar cirurgia oncológica das filas eletivas convencionais e monitorar radioterapia como infraestrutura
estratégica, com equipamento, equipe, manutenção e regulação regional.
Oncologia moderna e acesso sustentável
• Incorporar terapias - alvo, imunoterapias e medicina de precisão quando houver benefício clínico relevante,
evidência robusta e definição da população elegível.
• Vincular incorporação de terapias de precisão à disponibilidade do biomarcador necessário e, quando adequado,
usar negociação de preço e compartilhamento de risco.
PROPOSTA Reduzir diagnóstico tardio e tempo entre suspeita, confirmação e tratamento.
META 2030
Até 2030, 100% dos pacientes com suspeita oncológica relevante rastreáveis por relógio
assistencial; cumprimento monitorado dos prazos legais; redução progressiva da proporção de
diagnósticos em estágio avançado, com metas específicas por tumor definidas a partir da linha de
base de 2027.