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9. Organizar uma Estratégia de Saúde Amazônica no SUS
Estruturar atenção primária fluvial e itinerante, telemedicina, transporte sanitário aéreo e fluvial,
diagnóstico remoto, redes de referência e provimento de profissionais.
Integrar saúde indígena e ribeirinha, vigilância epidemiológica e cuidado relacionado a doenças tropicais,
contaminação da água, fumaça, mineração e eventos climáticos.
Ampliar a cooperação logística com as Forças Armadas, universidades, estados e municípios para alcançar
comunidades isoladas, sob coordenação do SUS e sem substituir a estrutura civil permanente.
Indicadores de acompanhamento
• Terras públicas destinadas, áreas regularizadas e sobreposições fundiárias solucionadas .
• Desmatamento, queimadas, extração ilegal de madeira e áreas recuperadas.
• Redes criminosas desarticuladas e ativos ilícitos bloqueados e recuperados.
• Famílias e comunidades remuneradas por conservação e produção sustentável.
• Planos de manejo implantados e produção florestal legal rastreada.
• Patentes, produtos, empresas e investimentos originados da biodiversidade amazônica.
• Indicações geográficas, marcas coletivas e renda gerada por produtos e turismo.
• Comunidades atendidas por energia confiável, conectividade, saúde e transporte.
• Redução do uso de óleo diesel nos sistemas isolados.
• Pesquisadores, profissionais e empresas formados ou fixados na região.
COMPROMISSO: proteger a soberania e a floresta, garantir segurança e serviços públicos e
transformar conhecimento, biodiversidade e trabalho em prosperidade para quem vive na
Amazônia.
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TEMA 24 · RELAÇÕES EXTERIORES E A INSERÇÃO DO BRASIL
NO MUNDO
Sumário executivo
A política externa voltará a ser uma política de Estado e parte integrante da estratégia nacional
de desenvolvimento. Diante da reconfiguração da ordem internacional, o Brasil não se limitará
a reagir nem permanecerá preso ao saudosismo de uma ordem que já não existe: participará
ativamente da construção da nova ordem que está emergindo, com pragmatismo, ambição e
visão de longo prazo.
A diplomacia atuará junto ao setor produtivo para ampliar mercados, atrair investimentos,
assegurar acesso a tecnologias críticas e elevar a complexidade tecnológica das exportações,
buscando não apenas exportar mais, mas exportar melhor. Fortaleceremos as relações com os
Estados Unidos, a União Europeia, a América Latina, a África, a Ásia e o Oriente Médio, sem
alinhamentos automáticos. Autonomia não significará neutralidade ou equidistância, mas
liberdade de decisão sustentada pela diversificação de merca dos, parceiros, tecnologias e fontes
de financiamento.
Diagnóstico
Vivemos um período de profunda transformação da ordem internacional. O sistema que emergiu após a
Segunda Guerra Mundial e se consolidou com o fim da Guerra Fria está sendo rapidamente reconfigurado. A
competição entre grandes potências voltou ao centro da política internacional, e comércio, investimentos,
tecnologia, energia, fluxos financeiros e cadeias produtivas tornaram - se também instrumentos de poder e de
segurança nacional.
A economia e a geopolítica passaram a caminhar juntas. Países utilizam tarifas, controles tecnológicos,
políticas industriais, sanções econômicas e incentivos ao investimento como parte de estratégias nacionais
de longo prazo. A globalização não desaparece u: está sendo reorganizada. A busca por eficiência divide
espaço com a segurança econômica, a resiliência das cadeias produtivas, o domínio de tecnologias críticas e
a diversificação de mercados e parceiros. O arsenal da competição geopolítica moderna inte gra sanções
econômicas, restrições ao acesso a sistemas de pagamento, disputas em torno das moedas de referência e
instrumentos financeiros inovadores.
Esse cenário traz riscos, mas também oportunidades extraordinárias para o Brasil. Nosso país reúne
características que poucos possuem simultaneamente: uma das maiores economias do mundo, uma
democracia consolidada, enorme capacidade agrícola e industrial, abundância de recursos naturais
estratégicos, matriz energética relativamente limpa, biodiversidade única e uma diplomacia respeitada
internacionalmente.
O Brasil precisa contribuir para que a nova ordem internacional seja mais estável, mais inclusiva e mais
favorável à participação de países que, como o nosso, não dispõem de excedentes de poder, mas podem
exercer influência por meio da cooperação, da legit imidade e da capacidade de construir consensos. Essa é a
condição de uma potência média que pretende ser interlocutora indispensável nas grandes negociações do
século XXI.
Persiste, entretanto, um déficit de inserção. Somos uma grande economia pouco integrada ao comércio
mundial, com rede limitada de acordos, empresas pouco internacionalizadas e pauta exportadora de baixa
complexidade tecnológica. O Mercosul, por sua vez, já não conta com uma visão comum entre seus membros
sobre seus objetivos, seu funcionamento e seu futuro. Superar essa condição é requisito para elevar a
produtividade, a competitividade e a renda dos brasileiros.
Propostas para 2027 – 2030
1. Política externa como política de Estado
Definir uma estratégia nacional de inserção internacional aprovada em conselho de governo e debatida com
o Congresso, o setor produtivo, a academia e a sociedade. As prioridades transcenderão ciclos políticos e
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eleitorais, preservando a tradição profissional da diplomacia brasileira e evitando que a atuação
internacional do país seja capturada pela polarização interna.
2. Diplomacia a serviço do desenvolvimento e da competitividade
Integrar a política externa à estratégia nacional de desenvolvimento, com articulação permanente entre o
Itamaraty e as políticas econômica, industrial, tecnológica, de infraestrutura, energia, agricultura, educação
e segurança. A rede diplomática atuará d e forma ainda mais próxima do setor produtivo, identificando
oportunidades, removendo barreiras e apoiando a internacionalização das empresas brasileiras.
3. Relações simultâneas com todos os polos, sem alinhamento automático
Fortalecer simultaneamente as relações com os Estados Unidos, a União Europeia, a América Latina, a África,
a Ásia e o Oriente Médio, sem hierarquias ou preferências determinadas por afinidades ideológicas. Não
adotaremos alinhamentos automáticos nem aceit aremos falsas escolhas entre polos geopolíticos rivais.
4. Mercosul – União Europeia e ampliação da rede de acordos
Consolidar o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, aprofundar a integração econômica regional e
negociar novos acordos que ampliem o acesso das empresas e dos produtos brasileiros aos mercados mais
dinâmicos do mundo. A abertura comercial será constr uída em coordenação com as políticas econômica,
industrial, tecnológica e de inovação.
5. O futuro do Mercosul: um diálogo que não pode ser postergado
O futuro do Mercosul não pode continuar sendo tratado como tema interditado, nem o Brasil pode seguir
fugindo de uma discussão que se tornou inevitável. Promoveremos diálogo aberto, franco e construtivo com
os demais Estados - Partes para construir visão com partilhada sobre o propósito e o papel do bloco em uma
economia mundial em rápida transformação, reduzindo barreiras internas, harmonizando procedimentos e
reconhecendo certificações.
6. Ásia, África e Indo - Pacífico: os mercados de maior dinamismo
Ampliar de forma deliberada a presença brasileira nos mercados emergentes de elevado potencial, com
prioridade para a Ásia, a África e o Indo - Pacífico. Isso exigirá reforço da rede de postos, acordos setoriais,
abertura sanitária, promoção comercial e pres ença empresarial permanente.
7. Exportar melhor: complexidade tecnológica e cadeias globais de valor
Elevar progressivamente a complexidade tecnológica e o valor agregado da inserção da economia brasileira.
O objetivo não será apenas exportar mais, mas exportar melhor; não apenas participar das cadeias globais
de valor, mas ocupar nelas posições cada vez mais qualificadas, intensivas em conhecimento, inovação e
tecnologia.
8. Tecnologias críticas, inteligência artificial e cooperação científica
Colocar a diplomacia a serviço do acesso do Brasil à inteligência artificial, à computação avançada, à
infraestrutura digital, à biotecnologia e aos novos materiais. O país não se limitará a consumir tecnologias
desenvolvidas por outros: viabilizará a infr aestrutura necessária e participará de seu desenvolvimento,
governança e aplicação.
9. Segurança econômica, resiliência de cadeias e minerais estratégicos
Mapear dependências críticas, diversificar fornecedores e proteger infraestrutura e dados estratégicos. As
parcerias em minerais estratégicos incorporarão processamento, pesquisa, formação e indústria no território
nacional. O Brasil não escolherá um único bloco nem aceitará permanecer mero fornecedor de matéria -
prima.
10. Dimensão financeira da política externa
Coordenar a atuação diplomática com as autoridades econômicas e financeiras para fortalecer a resiliência
da arquitetura financeira e de pagamentos do país, diversificar fontes de financiamento ao desenvolvimento
e ampliar a participação brasileira nos deb ates sobre a governança do sistema financeiro global.
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11. Diplomacia econômica com metas e atração de investimento produtivo
Atribuir a embaixadas e representações metas de exportação, investimento, tecnologia e abertura de
mercados, com avaliação periódica. Integrar Itamaraty, ApexBrasil, Camex, bancos e agências, com apoio
especial a pequenas e médias empresas e carteira nacio nal de projetos de investimento.
12. Integração sul - americana: física, energética e econômica
Priorizar corredores rodoviários, ferroviários, hidroviários e portuários, interconexões elétricas, gás e
telecomunicações, conectando regiões brasileiras ao Pacífico e aos mercados vizinhos, com viabilidade
econômica e governança de projetos aferidas caso a caso.
13. Cooperação internacional contra o crime organizado transnacional
Ampliar a cooperação internacional no combate ao crime organizado transnacional, ao narcotráfico, ao
tráfico de armas, aos crimes ambientais, à lavagem de dinheiro e às ameaças cibernéticas, com mecanismos
permanentes de inteligência, investigações conjunt as e controle de fronteiras.
14. Multilateralismo com resultado e aproximação com a OCDE
Participar ativamente da ONU, da OMC, do G20 e do BRICS e retomar, com pragmatismo, o processo de
aproximação com a OCDE. Não participaremos dessas organizações para ocupar cadeiras ou buscar
protagonismo retórico, mas para influenciar decisões e contribui r para a formulação das regras
internacionais.
15. Diplomacia de Defesa e Atlântico Sul
Aprofundar a cooperação, os mecanismos de confiança, a formação e as parcerias tecnológicas com países
da América do Sul, do Atlântico Sul e da costa ocidental africana, preservando a autonomia brasileira e as
prioridades estabelecidas no Tema 10.
16. Brasileiros no exterior, serviços consulares e diáspora
Modernizar consulados e serviços digitais, ampliar a assistência e a capacidade de resposta a crises e
valorizar a diáspora como rede de comércio, ciência e investimento. Organizar a migração com
documentação, integração, segurança e cooperação internacion al.
Indicadores de acompanhamento
• Complexidade tecnológica e valor agregado da pauta exportadora.
• Exportações por destino e produto e número de empresas exportadoras, especialmente pequenas e médias.
• Acordos comerciais concluídos, implementados e efetivamente utilizados pelas empresas.
• Diversificação de mercados, parceiros e fontes de financiamento, medida por índices de concentração.
• Investimento estrangeiro produtivo com pesquisa, fornecedores locais e exportação associados.
• Parcerias firmadas em tecnologias críticas, inteligência artificial e minerais estratégicos.
• Progresso na aproximação com a OCDE e em indicadores de qualidade regulatória.
• Qualidade e tempo de resposta dos serviços consulares e de assistência a brasileiros no exterior.
COMPROMISSO: colocar a política externa a serviço de um Brasil mais competitivo, mais
inovador, mais próspero, mais seguro e mais justo, com autonomia sustentada pela
diversificação e por parcerias em todos os quadrantes.
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TEMA 25 · SAÚDE
Sumário executivo
Programa Nacional de Saúde 2027 – 2030: fortalecer o SUS, reduzir desigualdades, organizar o
acesso, prevenir antes de tratar, incorporar ciência e tecnologia e construir autonomia
estratégica em saúde.
O SUS será preservado como sistema universal e transformado em uma rede mais preventiva,
integrada, digital e orientada por resultados. O cidadão deve saber qual equipe o acompanha,
qual é sua prioridade, quanto tempo esperará e qual serviço é responsável por cada etapa. A
saúde será organizada por regiões, com atenção primária resolutiva, acesso regulado por risco
clínico, especialistas conectados, hospitais avaliados por qualidade e profissionais valorizados.
A agenda atuará por missões: reduzir filas evitáveis; prevenir e controlar doenças crônicas;
organizar redes de infarto, AVC, câncer, saúde da mulher, infância, longevidade, saúde mental,
saúde indígena, urgência, trauma e paciente crítico; recuperar a vac inação; integrar dados;
modernizar hospitais; estruturar o cuidado das doenças raras; e fortalecer a produção nacional
de medicamentos, vacinas, imunobiológicos e terapias avançadas. Inovação será instrumento
de acesso, eficiência, equidade e soberania san itária.
Uma nova agenda para a saúde do Brasil
O Brasil construiu um dos maiores sistemas universais de saúde do mundo. O SUS é patrimônio nacional,
expressão concreta do direito à saúde e uma infraestrutura estratégica que alcança todos os brasileiros.
Preservá - lo é indispensável. Modernizá - lo é urgen te. Vamos construir uma agenda nacional de
transformação da saúde brasileira para 2027 – 2030: capaz de cuidar melhor das pessoas, reduzir
desigualdades, incorporar inovação e preparar o SUS para o Brasil que já está surgindo.
O Brasil vive uma das mais profundas transições demográficas e epidemiológicas de sua história. Em 2022,
já éramos mais de 32 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais. Nas próximas décadas, o envelhecimento
populacional se acelerará e transformará defini tivamente as necessidades de saúde da população. Em 2070,
quase quatro em cada dez brasileiros terão 60 anos ou mais.
Envelhecer é uma conquista civilizatória. Mas viver mais precisa significar viver melhor, com autonomia,
qualidade de vida e acesso ao cuidado quando necessário. Um país mais longevo terá de enfrentar, em escala
crescente, doenças cardiovasculares, câncer, hipertensão, diabetes, obesidade, doenças renais, transtornos
de saúde mental, doenças neurodegenerativas e demências. Terá mais pessoas convivendo simultaneamente
com diferentes doenças crônicas e necessitando de acompanhamento contínuo, reabilitação e c uidados de
longa duração.
Não podemos enfrentar o Brasil de amanhã com um sistema de saúde desenhado para o Brasil de ontem.
Durante décadas, organizamos grande parte da assistência para agir quando a doença já estava instalada:
quando o paciente chegava ao pronto - socorro, precisav a ser internado ou apresentava uma complicação.
Precisamos inverter essa lógica. A saúde deve começar antes da doença. É preciso identificar riscos, prevenir,
diagnosticar precocemente, acompanhar continuamente e garantir que cada cidadão percorra uma jorn ada
integrada entre atenção primária, especialistas, diagnóstico, hospitais, reabilitação e cuidados de longa
duração. Essa transformação não significa simplesmente gastar mais. Significa gastar melhor.
O extraordinário avanço científico e tecnológico das últimas décadas criou uma oportunidade inédita para
ampliar o acesso à saúde e, simultaneamente, aumentar a eficiência do Estado. Inteligência artificial,
interoperabilidade de dados, prontuário eletrôni co integrado, telessaúde, monitoramento remoto, apoio
digital à decisão clínica, regulação inteligente das filas e centros de comando capazes de acompanhar a rede
em tempo real permitem antecipar riscos, reduzir desperdícios, evitar duplicidade de exames, diminuir
internações potencialmente evitáveis e utilizar melhor profissionais, equipamentos e leitos.
A inovação não pode ser vista como um custo adicional ou um luxo tecnológico. Ela deve ser uma ferramenta
de sustentabilidade do sistema de saúde, de responsabilidade fiscal e de eficiência do Estado.