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O Brasil é a 10ª economia do mundo,
possui um território continental, uma
enorme diversidade ambiental, uma
das maiores bases agrícolas e minerais
do planeta, grandes reservas de
petróleo, enorme potencial energético,
universidades e institutos públicos
de pesquisa, empresas estratégicas
e uma classe trabalhadora com
capacidade para sustentar um
projeto soberano de desenvolvimento.
Em 2025, o Produto Interno Bruto
brasileiro alcançou R$ 12,7 trilhões.
Essa riqueza, porém, permanece
profundamente concentrada e não
retorna para quem a produz. No
Brasil, o 1% mais rico ganha mais
de 30 vezes o valor recebido pela
metade mais pobre da população.
Os dados do IBGE, referentes ao
trimestre encerrado em maio de 2026,
revelam que 5,9 milhões de pessoas
permanecem desempregadas e 13,6
milhões trabalham sem carteira
assinada, ou seja, sem nenhum
direito garantido. Além disso, 38,3
milhões trabalham na informalidade.
Como pertencemos a uma classe que
não sobrevive sem vender a sua força
de trabalho, pois não somos donos
dos meios de produção, o povo se vira
como pode na informalidade e bicos
para sustentar suas famílias, o que
demonstra que ter alguma ocupação
no capitalismo não significa ter
estabilidade, direitos, salário digno,
jornada humana e proteção social.
A contradição é evidente: Um país
tão rico continua sendo marcado por
desigualdade extrema, precarização
do trabalho, onde milhões de pessoas
são submetidas a salários insuficientes,
jornadas exaustivas, moradia precária,
transporte caro, insegurança alimentar
e serviços públicos insuficientes.
Segundo levantamento do
Departamento Intersindical de
Estatística e Estudos Socioeconômicos
(DIEESE), o salário mínimo necessário
para sustentar uma família de quatro
pessoas deveria ser de R$ 7.892,55
(referente a maio de 2026), valor cerca
de 4,8 vezes maior que o atual salário
mínimo. Assim, com um salário de
R$ 1.621,00, não é possível comprar
uma cesta básica, pagar aluguel,
gás de cozinha, energia e água ou
roupas para nossos filhos e filhas. Os
deputados e senadores sabem que ele
é insuficiente, tanto que cada um deles
O BRASIL É UM DOS PAÍSES
MAIS RICOS DO MUNDO,
MAS O POVO VIVE NA POBREZA
Essa desigualdade não é natural. Ela
resulta de um modelo econômico que
coloca os interesses dos capitalistas
acima das necessidades populares.
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recebe mais de R$ 46 mil, além de
milhões em emendas parlamentares.
Essa desigualdade não é natural.
Ela resulta de escolhas políticas e de
um modelo econômico que coloca os
interesses dos bancos, dos grandes
monopólios, dos latifundiários, dos
fundos de investimento e do mercado
financeiro acima das necessidades
populares. Enquanto faltam recursos
para universalizar direitos, uma parcela
enorme da riqueza social é apropriada
na forma de lucros, juros, dividendos,
renda da terra e especulação.
Dessa forma, o problema central não
é a ausência de riqueza, mas quem
controla a riqueza, para quê ela é
utilizada e quem decide as prioridades
do Estado. O capital financeiro
captura parte crescente do excedente
social por meio dos juros, da dívida,
da especulação e da financeirização
de serviços essenciais. Privatizações e
concessões transformam patrimônio
coletivo em fonte privada de lucros.
Diante disso, nosso programa é
o programa da classe operária,
isto é, governar para quem vive
do próprio trabalho. Um Governo
Popular dos Trabalhadores, baseado
na participação permanente do
povo, no controle público dos setores
estratégicos, na soberania nacional,
na planificação democrática
da economia e na prioridade
absoluta às necessidades sociais.
Defendemos que saúde, educação,
água, energia, saneamento, moradia,
transporte, cultura e comunicação
sejam direitos, e não mercadorias.
Defendemos o fim da escala 6x1, a
redução da jornada com aumento
salarial, a elevação em 100% do
salário mínimo, a reindustrialização,
a reforma agrária, a soberania
nacional, o fortalecimento da
ciência e a recuperação do controle
público dos setores estratégicos.
Defendemos que a riqueza produzida
pelo povo brasileiro esteja a serviço
do próprio povo e que o planejamento
da economia seja democrático e
popular. Vamos combater todas
as formas de exploração, racismo,
machismo, LGBTfobia, capacitismo
e opressão; defender os povos
indígenas, quilombolas e comunidades
tradicionais; e garantir soberania
diante dos interesses do grande
capital nacional estrangeiro.
Dessa forma, o objetivo não é
administrar as desigualdades
produzidas pelo capitalismo, mas
criar condições políticas, econômicas
e sociais para superá-las. Não
é possível ter um país justo com
arrocho salarial, jornadas exaustivas
de trabalho, juros abusivos e uma
minoria de ricos morando em mansões
e possuindo centenas de prédios,
enquanto os pobres moram em áreas
de risco e pagam aluguéis altíssimos.
Para lutar contra essa situação,
Samara Martins é candidata da UP à
Presidência do Brasil:
“Nós queremos
m país sem injustiças sociais e sem
exploração dos trabalhadores por
uma minoria de bilionários. Chega
de nossas riquezas serem roubadas
pelos EUA, pela China ou pela
União Europeia. Junte-se a nós e
vamos construir um país socialista!”
Para resolver estes graves problemas
sociais, a Unidade Popular apresenta o
conjunto de medidas a seguir e defende
transformações estruturais para
construir uma sociedade socialista.
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A U M E N T O D E 1 0 0 %
N O S A L Á R I O M Í N I M O
A contradição principal do sistema
capitalista é entre o capital e o
trabalho. Ela se expressa no roubo
não declarado do esforço da classe
trabalhadora na produção de
riquezas. Como explica Karl Marx em
sua análise do Capitalismo, a diferença
entre os valores que as trabalhadoras
e trabalhadores produzem e os seus
salários com os demais custos de
produção forma a chamada mais-
valia que é o roubo do trabalho.
EMPREGO, RENDA EMPREGO, RENDA
E TRABALHO E TRABALHO O que chamamos de salário mínimo
(valor mínimo da força de trabalho)
deveria em tese ser o suficiente para
garantir o custo mínimo de vida de
trabalhadores para que na lógica do
sistema capitalista eles seguissem
produzindo lucros aos burgueses.
No texto Salário, preço e lucro, de
1865, capítulo 8, Marx descreve o
mecanismo:
“O valor da força de trabalho
se determina pela quantidade
de trabalho necessário
para a sua conservação, ou
reprodução, mas o uso desta
força só é limitado pela
energia vital e a força física
do operário. O valor diário ou
semanal da força de trabalho
difere completamente do
funcionamento diário ou
semanal desta mesma força
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de trabalho, são duas
coisas completamente
distintas, como a ração
consumida por um cavalo e
o tempo em que este pode
carregar o cavaleiro.”
Por isso, a Unidade Popular Por isso, a Unidade Popular
apresenta como proposta apresenta como proposta
emergencial o aumento de 100% do emergencial o aumento de 100% do
salário mínimo, proposta que será salário mínimo, proposta que será
executada no primeiro momento executada no primeiro momento
de governo, que marcará o início de governo, que marcará o início
da elevação geral dos salários da elevação geral dos salários
e mudanças sobre o controle da e mudanças sobre o controle da
economia por meio do controle economia por meio do controle
popular e planejamento socialista. popular e planejamento socialista.
Para isso é necessário garantir: Para isso é necessário garantir:
• Elevação Imediata dos salários • Elevação Imediata dos salários
e Aumento de 100% do Salário e Aumento de 100% do Salário
Mínimo. Reajuste imediato para Mínimo. Reajuste imediato para
cobrir os custos reais da cesta cobrir os custos reais da cesta
básica e da vida familiar (rumo básica e da vida familiar (rumo
ao valor calculado pelo DIEESE ), ao valor calculado pelo DIEESE ),
acompanhado de valorização acompanhado de valorização
permanente acima da inf lação. permanente acima da inf lação.
• F i m d o A r c a b o u ç o F i s c a l • F i m d o A r c a b o u ç o F i s c a l
garantindo o reajuste nos benefícios garantindo o reajuste nos benefícios
de aposentadoria e assistência social. de aposentadoria e assistência social.
F I M I M E D I A T O
D A E S C A L A 6 X 1
E ESTABELECIMENTO
D A E S C A L A 4 X 3
A exploração capitalista está A exploração capitalista está
diretamente relacionada ao diretamente relacionada ao
tempo de trabalho dedicado pela tempo de trabalho dedicado pela
classe trabalhadora a serviço da classe trabalhadora a serviço da
burguesia. Ao mesmo tempo, o burguesia. Ao mesmo tempo, o
avanço tecnológico e de métodos avanço tecnológico e de métodos
e técnicas de trabalho poderia e técnicas de trabalho poderia
resultar numa redução substancial resultar numa redução substancial
do tempo dedicado na produção do tempo dedicado na produção
social. Mas, como no capitalismo social. Mas, como no capitalismo
a prioridade é sempre majoração a prioridade é sempre majoração
dos lucros, a jornada não é dos lucros, a jornada não é
reduzida apesar de ser possível. reduzida apesar de ser possível.
Mas ao longo da história este Mas ao longo da história este
mínimo necessário para sobreviver mínimo necessário para sobreviver
muda de acordo com a força que a muda de acordo com a força que a
burguesia tem de impor menores burguesia tem de impor menores
salários frente à capacidade de salários frente à capacidade de
pressão da classe trabalhadora pressão da classe trabalhadora
por maiores valores, esta por maiores valores, esta
contradição é o início da luta de contradição é o início da luta de
classes na sociedade capitalista. classes na sociedade capitalista.
No Brasil de 2026, aproximadamente No Brasil de 2026, aproximadamente
35 milhões de trabalhadores e 35 milhões de trabalhadores e
trabalhadoras recebem até um trabalhadoras recebem até um
salário mínimo de R$ 1621,00 salário mínimo de R$ 1621,00
(IBGE 2025). Esse valor está (IBGE 2025). Esse valor está
longe de garantir a subsistência longe de garantir a subsistência
básica da classe dos assalariados. básica da classe dos assalariados.
Segundo dados da Pesquisa Segundo dados da Pesquisa
Nacional de Cesta Básica de Nacional de Cesta Básica de
Alimentos Conab/Dieese de julho Alimentos Conab/Dieese de julho
de 2026, a cesta básica para uma de 2026, a cesta básica para uma
família nas maiores capitais varia família nas maiores capitais varia
entre R$ 855,00 e R$ 915,00, com entre R$ 855,00 e R$ 915,00, com
grande parte das famílias vivendo grande parte das famílias vivendo
com aluguéis que chegam a mais de com aluguéis que chegam a mais de
R$ 1.000,00 em bairros periféricos. R$ 1.000,00 em bairros periféricos.
Somente nestes dois itens de custos Somente nestes dois itens de custos
de vida temos um acumulado maior de vida temos um acumulado maior
que todo o valor do salário mínimo, que todo o valor do salário mínimo,
como sabemos que para sobreviver como sabemos que para sobreviver
em uma cidade são necessários em uma cidade são necessários
custos com transporte, vestuário, custos com transporte, vestuário,
saúde, educação, lazer etc. saúde, educação, lazer etc.
Não por acaso, o Dieese estima Não por acaso, o Dieese estima
em quase R$ 8 mil o salário em quase R$ 8 mil o salário
mínimo necessário para uma mínimo necessário para uma
família sobreviver com dignidade. família sobreviver com dignidade.
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GARANTIA DE EMPREGO
E TRABALHO OBRIGATÓRIOS
PARA TODAS AS PESSOAS
ADULTAS CAPAZES DE
TRABALHAR; PROIBIÇÃO
D A E X P LO RAÇ ÃO D O
T R A B A L H O I N F A N T I L
No Brasil, cerca de 14,8 milhões de No Brasil, cerca de 14,8 milhões de
trabalhadores atuam na escala 6x1 trabalhadores atuam na escala 6x1
(seis dias de trabalho consecutivos (seis dias de trabalho consecutivos
para apenas um dia de descanso) , para apenas um dia de descanso) ,
aproximadamente um terço (33,2%) aproximadamente um terço (33,2%)
da população ocupada no país. O da população ocupada no país. O
fim da escala 6x1 tornou-se uma das fim da escala 6x1 tornou-se uma das
principais reivindicações recentes principais reivindicações recentes
da classe trabalhadora brasileira. da classe trabalhadora brasileira.
A força da luta resultou na votação, A força da luta resultou na votação,
em 27 de maio de 2026, na Câmara em 27 de maio de 2026, na Câmara
dos Deputados, uma proposta para dos Deputados, uma proposta para
o fim da escala 6x1, com redução o fim da escala 6x1, com redução
da jornada máxima para 40 horas da jornada máxima para 40 horas
semanais, sem redução salarial, semanais, sem redução salarial,
e dois dias de descanso. Mas, não e dois dias de descanso. Mas, não
houve votação no Senado. Portanto, houve votação no Senado. Portanto,
a luta precisa continuar porque a luta precisa continuar porque
a escala 6x1 ainda não acabou. a escala 6x1 ainda não acabou.
Mesmo sem o senado colocar para Mesmo sem o senado colocar para
votação o fim da 6x1, categorias votação o fim da 6x1, categorias
específicas se mobilizaram por específicas se mobilizaram por
uma escala que permitisse mais uma escala que permitisse mais
dias consecutivos de descanso, dias consecutivos de descanso,
a exemplo dos trabalhadores a exemplo dos trabalhadores
da Limpeza Urbana da Paraíba da Limpeza Urbana da Paraíba
que conquistaram a escala 5x2 que conquistaram a escala 5x2
e aumento salarial de mais 8%. e aumento salarial de mais 8%.
Os trabalhadores portuários no Os trabalhadores portuários no
Pará, conquistaram a escala de 4x4 Pará, conquistaram a escala de 4x4
no turno ininterrupto de revezamento no turno ininterrupto de revezamento
(4 dias consecutivos de trabalho por (4 dias consecutivos de trabalho por
4 de folga) e também conquistaram 4 de folga) e também conquistaram
a recomposição salarial. a recomposição salarial.
Esses avanços mostram que a Esses avanços mostram que a
organização, a luta e as greves dos organização, a luta e as greves dos
trabalhadores podem arrancar trabalhadores podem arrancar
mais conquistas, mas é preciso mais conquistas, mas é preciso
avançar ainda mais: defendemos avançar ainda mais: defendemos
36 horas semanais, sem redução 36 horas semanais, sem redução
dos salários, garantindo mais dos salários, garantindo mais
tempo para descanso, família, tempo para descanso, família,
estudo, cultura e lazer. estudo, cultura e lazer.
• Fim da Escala 6x1 e Redução da • Fim da Escala 6x1 e Redução da
Jornada para 30 Horas Semanais: Jornada para 30 Horas Semanais:
Implementação do regime de 30 Implementação do regime de 30
horas sem redução salarial (escala horas sem redução salarial (escala
4x3 ou turnos de 6 horas diárias), 4x3 ou turnos de 6 horas diárias),
permitindo a criação de múltiplos permitindo a criação de múltiplos
turnos nas indústrias e serviços turnos nas indústrias e serviços
para gerar novos postos formais de para gerar novos postos formais de
trabalho. trabalho.
O sistema capitalista gera grandes O sistema capitalista gera grandes
massas de desempregados como massas de desempregados como
resultado de sua contradição resultado de sua contradição
fundamental, que é a apropriação fundamental, que é a apropriação
individual da riqueza frente à individual da riqueza frente à
produção social pelas mãos da produção social pelas mãos da
classe trabalhadora. A burguesia classe trabalhadora. A burguesia
utiliza este fato como instrumento utiliza este fato como instrumento
de rebaixamento dos salários, afinal de rebaixamento dos salários, afinal
de contas caso um trabalhador de contas caso um trabalhador
rejeite um baixo salário ou condições rejeite um baixo salário ou condições
de contrato existirão outros que de contrato existirão outros que
aceitem por necessidade urgente. aceitem por necessidade urgente.
Além disso, a burguesia busca Além disso, a burguesia busca
valorizar seu capital em setores de valorizar seu capital em setores de
bens ou serviços que possam utilizar os bens ou serviços que possam utilizar os
excedentes de pessoas sem trabalho excedentes de pessoas sem trabalho
para novas formas de empregá- para novas formas de empregá-
las sob condições precárias. las sob condições precárias.
Realizam um grande investimento Realizam um grande investimento
em propaganda ideológica contra a em propaganda ideológica contra a
Consolidação das Leis Trabalhistas Consolidação das Leis Trabalhistas
(CLT), contra a Carteira de Trabalho (CLT), contra a Carteira de Trabalho