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PROPOSTAS DA UNIDADE POPULAR PARA
TRANSFORMAR O DISTRITO FEDERAL
INTRODUÇÃO
O Distrito Federal ocupa um lugar singular na história do Brasil. Criado para sediar a
nova capital da República, fruto do projeto de interiorização do desenvolvimento
nacional conduzido durante o governo Juscelino Kubitschek, Brasília foi inaugurada
em 21 de abril de 1960 como símbolo da modernização do país. Desde então, o
Distrito Federal passou a concentrar as principais instituições políticas da República,
tornando-se o centro das decisões administrativas, legislativas e judiciais do Brasil.
A construção da nova capital atendeu ao projeto político de fornecer infraestrutura
urbana para sustentar a chamada “expansão da fronteira agrícola”, com o
crescimento do agronegócio na região centro-oeste do país. Além disso, o
surgimento e crescimento das Ligas Camponesas e o fortalecimento do movimento
operário e estudantil aguçou a luta de classes e deixou as classes dominantes em
alerta. Por isso, a construção da capital distante dos principais centros urbanos do
Brasil também teve como objetivo dificultar as mobilizações populares que se
desenvolveram ao longo das décadas anteriores.
Assim, a imagem monumental da capital esconde profundas contradições. Ao lado
do Plano Piloto, concebido como vitrine do planejamento urbano moderno,
cresceram dezenas de cidades para onde foram expulsos os trabalhadores
responsáveis pela construção de Brasília. Essas regiões administrativas concentram
grande parte da população do Distrito Federal e convivem diariamente com o
abandono por parte do poder público, resultando em problemas de mobilidade,
saúde, educação, moradia, saneamento e acesso aos serviços públicos.
AS LUTAS DO POVO
No entanto, o povo nunca aceitou pacificamente essa situação. Desde sua
construção, a capital foi também palco da resistência da classe trabalhadora. Nos
canteiros de obras, os candangos organizaram greves e protestos contra as jornadas
exaustivas, os baixos salários e as condições degradantes de trabalho, enfrentando
a repressão violenta da Guarda Especial de Brasília (GEB), cujo episódio mais
conhecido foi o massacre do acampamento da construtora Pacheco Fernandes, em
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1959. Nesse mesmo período, os trabalhadores da Vila Amaury organizaram-se em
defesa do direito à moradia e contra sua remoção compulsória. Abrigando cerca de
16 mil pessoas, a vila foi deliberadamente inundada para a formação do Lago
Paranoá, e seus moradores foram expulsos para dar lugar ao projeto urbanístico da
nova capital, tornando-se protagonistas da formação de cidades como Sobradinho e
expressão da segregação socioespacial que marcaria o desenvolvimento do Distrito
Federal. 1
Durante a ditadura militar, Brasília transformou-se também em um importante foco
de resistência. A Universidade de Brasília sofreu sucessivas invasões das forças de
repressão em 1964, 1965, 1968 e 1977, mas estudantes, professores e servidores
mantiveram a mobilização em defesa da autonomia universitária e das liberdades
democráticas, enfrentando prisões, demissões, torturas e perseguições políticas.
Três estudantes da UnB foram assassinados pelas forças da ditadura. Hoje,
Honestino Guimarães, Ieda Santos Delgado e Paulo de Tarso figuram no panteão
dos herois do povo brasileiro.
Essa tradição de luta prosseguiu nas mobilizações por moradia, nas organizações
comunitárias, entre os servidores públicos, as mulheres, a juventude, a população
negra, os povos indígenas, as pessoas com deficiência e diversos movimentos
populares, que seguem construindo a resistência em defesa dos direitos sociais, da
democracia e da justiça social no Distrito Federal.
OS RICOS FICAM COM O BANQUETE E O POVO COM AS MIGALHAS
O Distrito Federal está entre as unidades da Federação com a maior renda domiciliar
per capita do país. Entretanto, essa riqueza está concentrada nas mãos de uma
pequena parcela da população. Os ricaços que moram nas mansões do Lago Sul
desfrutam da riqueza produzida coletivamente pela sociedade. Enquanto isso, os
trabalhadores que vivem nas periferias como Sol Nascente e Pôr do Sol sobrevivem,
em média, com R$ 845,37 2 por mês e enfrentam a precarização do trabalho, déficit
de infraestrutura urbana e acesso desigual aos serviços públicos.
O contraste entre o centro político da República e a periferia do Distrito Federal
evidencia que a riqueza produzida pelos trabalhadores permanece apropriada por
uma minoria privilegiada, enquanto a maioria da população continua submetida às
consequências da concentração de renda e da segregação socioespacial.
1 Leia mais em: https://averdade.org.br/2024/04/a-luta-candanga-a-historia-da-classe-trabalhadora-na-
construcao-de-brasilia/ e https://averdade.org.br/2024/08/vila-amaury-a-ocupacao-dos-operarios-que-
construiram-brasilia/
2 PDAD Ampliada 2024 – Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF)
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Para se ter uma ideia da desigualdade social e do roubo de recursos públicos, no
ano de 2021, o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro comprou
uma mansão de R$ 5,97 milhões no Lago Sul 3 . Ou seja, quem mora no Sol
Nascente precisaria de 589 anos trabalhando sem gastar um centavo para conseguir
comprar a mesma mansão que o senador milionário comprou com dinheiro do povo.
Quem anda pelas ruas da nossa cidade vê de perto o resultado da desigualdade
social. Milhares de pessoas vivem em situação de rua, sobrevivendo da
solidariedade alheia e disputando diariamente comida, água e um lugar para dormir.
A pobreza deixou de ser uma realidade invisível e passou a fazer parte da paisagem
cotidiana do Distrito Federal.
As mães trabalhadoras enfrentam enormes dificuldades para encontrar vagas em
creches públicas, sendo obrigadas, muitas vezes, a abandonar o emprego, recorrer
a familiares ou deixar os filhos sob cuidados precários. Enquanto isso, milhares de
jovens convivem com a falta de oportunidades de estudo, trabalho, cultura e esporte,
alimentando um ciclo permanente de exclusão social.
Essa realidade não é consequência do acaso. É resultado do sistema capitalista de
produção, onde uns poucos se apropriam de toda a riqueza produzida coletivamente
na sociedade. Enquanto os ricaços vivem esbanjando em festas à beira do lago
Paranoá, o povo sofre com a ausência de políticas públicas capazes de garantir
emprego digno, moradia, educação, saúde e assistência social para toda a
população. Enquanto uma pequena parcela desfruta de todos os benefícios da
cidade, milhares de famílias seguem privadas dos direitos mais básicos garantidos
pela Constituição.
CAOS NA SAÚDE DEIXA O POVO MORRENDO NAS FILAS
A saúde pública do Distrito Federal vive uma crise que afeta diariamente milhares de
famílias. A realidade do povo continua sendo marcada por hospitais superlotados,
longas filas por consultas, exames e cirurgias, falta de profissionais e dificuldades
para conseguir leitos de internação. Neste momento, 1 milhão e 197 mil pessoas
estão esperando para realizar simples exames ou consultas 4 . A longa espera é a
realidade enfrentada por muitas pessoas que adoecem, sofrem e morrem sem
conseguir um tratamento adequado.
Essa situação ocorre por uma decisão política do governo de Ibaneis e Celina, que
3 https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2024/07/03/flavio-bolsonaro-quita-mansao-de-r-597-milhoes-
27-anos-antes-do-previsto.ghtml acesso em 10/09/2026 19h13min
4 https://www.mpdft.mp.br/acompanhamento-sus-df/ acesso em 09/07/2026 19h18min
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deixam a administração da saúde no DF por conta da iniciativa privada através do
IGESDF e não garantem infraestrutura e mão de obra suficientes para garantir o
atendimento à população. De fato, faltam 4.800 médicos, 1.600 enfermeiros, 5 mil
técnicos de enfermagem e mais de 25 mil profissionais de saúde no geral.
É necessário ampliar o investimento direto no SUS, acabar com o IGESDF e realizar
concursos públicos para recompor o quadro de servidores, fortalecer a atenção
básica, reduzir as filas por consultas e cirurgias, ampliar a capacidade hospitalar e
garantir uma gestão transparente dos recursos públicos. A saúde deve ser tratada
como um direito fundamental da população, e não como um serviço submetido à
lógica do lucro.
A FARRA COM O DINHEIRO DO POVO
O caso Banco Master colocou o Distrito Federal no centro de uma grave crise
envolvendo a gestão do BRB. Segundo investigações do Ministério Público Federal,
entre julho de 2024 e outubro de 2025 o BRB realizou operações que somaram
R$ 16,7 bilhões (mais do que o orçamento para saúde e educação 5 ) com o Banco
Master. As apurações apontam que essas operações chegaram a representar cerca
de 30% dos ativos do BRB , levantando questionamentos sobre a exposição do
patrimônio público, a transparência das decisões e os mecanismos de controle.
As operações ocorreram durante o governo Ibaneis Rocha e continuaram sendo
objeto de debate público na gestão de Celina Leão. Diante disso, ambos são alvo de
cobranças por responsabilidade política quanto à condução da estratégia do BRB e
à prestação de esclarecimentos à sociedade. Assim, fica claro que o Estado
capitalista é, de fato, um balcão de negócios para favorecer os ricos. Ibaneis e
Celina são, na realidade Robin Hood ao contrário, tiram dos pobres para dar aos
ricos.
Por isso, a Unidade Popular defende o controle estatal e popular do sistema
financeiro como forma de ampliar a transparência na gestão dos recursos públicos e
garantir que as riquezas da sociedade estejam voltadas ao financiamento do
desenvolvimento social, da geração de empregos e da melhoria das condições de
vida da população, e não à realização de operações que possam colocar em risco o
patrimônio do povo. Para acabar com a sangria do dinheiro público é necessário dar
punição exemplar com prisão e confisco dos bens de todos os envolvidos com caso
de corrupção.
5 Portal da transparência DF
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UM PROGRAMA POPULAR E SOCIALISTA POR UM DISTRITO FEDERAL PARA
A CLASSE TRABALHADORA
Nossa candidatura nasce do seio da classe trabalhadora, da luta e resistência
popular. O Distrito Federal somente poderá superar suas profundas desigualdades
quando o povo trabalhador que construiu esta cidade passar a governá-la
efetivamente. É necessário romper com um modelo capitalista que privilegia poucos
e condena a maioria da população à precariedade, ao endividamento, à insegurança
e à exclusão dos espaços de decisão política.
Samara Mineiro é uma trabalhadora que sente na pele a exploração e os problemas
vividos pelo povo. Por isso, a Unidade Popular apresenta o seu nome para
representar um Programa de Governo Popular para o Distrito Federal: