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TOCANTINS EM NÚMEROS: COMPREENDER O CONTEXTO PARA
AVANÇAR COM EFICÁCIA
O crescimento econômico é necessário, mas não é su fi ciente. O
Tocantins precisa transformar sua capacidade produtiva em
desenvolvimento sustentável, trabalho digno, autonomia municipal,
em serviços públicos de qualidade, com redução da pobreza e em
conservação dos recursos naturais. É a partir desse cenário que se
estrutura esse Plano de Governo.
DEMOGRAFIA E TERRITÓRIO
O Tocantins possui, aproximadamente, 277,4 mil km² e uma
população de 1.511.459 habitantes, segundo o Censo de 2022. São
apenas 5,45 habitantes por km², uma das menores densidades
demográ fi cas do país.
A população é jovem, mas em processo acelerado de
envelhecimento: cerca de 30% têm menos de 18 anos, contra 24% da
média nacional. Isso representa, simultaneamente, oportunidade
(dividendo demográ fi co, mão de obra em formação) e urgência
(necessidade imediata de educação e de emprego de qualidade para
essa geração). O envelhecimento demográ fi co se manifesta de forma
acelerada no Estado todo; especialmente em municípios rurais com
êxodo de jovens.
Dos 139 municípios tocantinenses, 57 possuem menos de 5 mil
habitantes. Essa con fi guração territorial ajuda a compreender muitos
dos desa fi os enfrentados pelo Estado. Em localidades pequenas e
distantes dos grandes centros, é mais caro manter hospitais, escolas,
sistemas de saneamento, segurança pública, conectividade e serviços
especializados.
A baixa densidade também limita a formação de mercados
consumidores com escala su fi ciente para sustentar determinadas
atividades econômicas e serviços privados. Para uma família que vive
em uma comunidade rural ou em um município distante de Palmas e
de Araguaína, isso pode signi fi car percorrer longas distâncias em
busca de atendimento médico, de educação especializada, de
emprego ou de serviços públicos.
Entre 2010 e 2022, a população estadual cresceu 9,25%, passando
de 1.383.445 para 1.511.459 habitantes. Esse crescimento, porém, não
ocorreu de maneira uniforme. Palmas chegou a 302.692 moradores e
Araguaína a 171.301, reforçando as concentrações populacional e
econômica em poucos pólos. O caminho mais realista é organizar
redes regionais de atendimento, fortalecer os consórcios públicos,
compartilhar infraestrutura e adaptar as políticas às diferentes
realidades do território.
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O cidadão não pode receber um serviço pior, porque nasceu em
uma cidade pequena ou porque vive longe da capital. Para alcançar
essa igualdade, o Estado precisa planejar regionalmente e garantir
que os serviços circulem pelo território.
POVOS E CULTURAS
O Tocantins é uma terra de diversidade humana notável. Os
povos indígenas habitam 13 terras demarcadas: Xerente (cerca de
4.500 pessoas, na região Central), Krahô (3.200, no Norte), Apinajé
(2.400, no Bico do Papagaio), Javaé e Karajá (na Ilha do Bananal),
Krahô-Kanela e Avá-Canoeiro. Juntos, representam cerca de 15 mil
pessoas com línguas, culturas e sistemas de governança próprios. As
terras indígenas cobrem aproximadamente 9% do território estadual e
são as áreas de melhor conservação ambiental.
As comunidades quilombolas têm forte inserção no território do
Estado, estão distribuídas principalmente no Bico do Papagaio, no
Centro, no Jalapão e no Sudeste. As Comunidades como Mumbuca
(no Jalapão, berço do artesanato em capim-dourado), Lagoa da Pedra
e Cocalinho são guardiãs de patrimônio cultural imaterial inestimável.
A regularização fundiária dessas comunidades é lenta e politicamente
sensível, mas é condição de segurança jurídica e de desenvolvimento.
A cultura tocantinense é de miscigenação: tradições indígenas,
herança africana (quilombos), migração nordestina (sertanejo,
babaçu), in fl uência goiana (sertanejo universitário, pecuária) in fl uência
nortista, e a novidade de Palmas, cidade planejada que atrai migrantes
de todo o Brasil. O Tocantins busca fortalecer sua identidade cultural e
isso é oportunidade: o estado pode construir sua marca cultural
autêntica que valorize suas múltiplas raízes.
ECONOMIA
Em 2023, o Produto Interno Bruto do Tocantins alcançou R$64,3
bilhões, com crescimento real de 7,9%, um dos melhores
desempenhos entre as unidades da Federação. No longo prazo, o
avanço foi expressivo: o PIB nominal passou de R$16,4 bilhões, em
2010, para R$64,3 bilhões, em 2023. Em 2023, o PIB per capita do
Tocantins alcançou R$42.553,00, um avanço expressivo que colocou o
Estado na 13ª posição nacional, oito posições acima da posição
ocupada em 2002.
Esse resultado demonstra a evolução da economia tocantinense
e a capacidade de crescimento do Estado. Parte importante desse
avanço vem da força de setores estratégicos, como o agronegócio e a
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geração de energia. O próximo passo é aproveitar ainda mais esse
potencial, agregando valor à nossa produção, diversi fi cando a
economia e criando oportunidades em todas as regiões.
Queremos fazer com que uma parcela cada vez maior da
riqueza produzida permaneça no Tocantins e se transforme em mais
empregos, melhores salários, renda e qualidade de vida para a
população. Como foi dito anteriormente, a estrutura produtiva
estadual é fortemente ligada ao campo. A agropecuária responde por
28,6% do valor adicionado, enquanto, no Brasil, essa participação é de
6,7%. A indústria representa apenas 10,7%, pouco mais da metade da
participação nacional, de 20,4%. Os serviços, por sua vez, responderam
por 60,8% do valor adicionado em 2021.
A atividade econômica também está concentrada
territorialmente. Sete municípios reúnem, aproximadamente, metade
do PIB estadual. Isso signi fi ca que boa parte do crescimento ainda
permanece restrita a poucos pólos, enquanto municípios menores
enfrentam di fi culdades para diversi fi carem suas economias e gerarem
oportunidades locais. A soja, o milho, animais vivos, carne e minérios
sustentam a produção e as exportações do Tocantins. O problema não
está em produzir esses bens, mas em permitir que saiam do Estado
sem que uma parcela maior deles seja transformada localmente.
O Tocantins precisa ampliar sua capacidade de armazenar, de
processar, de bene fi ciar e de industrializar aquilo que produz. Há
espaço para avançar na produção de alimentos processados, rações,
óleos, biocombustíveis, produtos fl orestais, minerais bene fi ciados,
bioinsumos e serviços tecnológicos.
Agregar valor signi fi ca criar empregos mais quali fi cados,
aumentar a arrecadação, estimular a inovação e fazer com que uma
parcela maior da riqueza permaneça no Estado. Não se trata de
abandonar a vocação agropecuária, mas de aproveitar melhor tudo o
que ela pode gerar.
O mercado de trabalho tocantinense apresentou uma melhora
importante. A taxa média anual de desocupação caiu de 5,5%, em
2024, para 4,7%, em 2025. Foi o menor resultado da série histórica
iniciada em 2012 e fi cou abaixo da média brasileira de 5,6%.
O Novo Caged registrou saldo positivo de 7.416 empregos
celetistas em 2025, resultado de 141.327 admissões e de 133.911
desligamentos. O estoque encerrou dezembro com aproximadamente
266 mil vínculos ativos.
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Indicador 2024 2025 Fonte
Taxa anual de desocupação 5,5% 4,7% PNAD Contínua
Saldo do emprego celetista — +7.416 Novo Caged
Admissões — 141.327 Novo Caged
Desligamentos — 133.911 Novo Caged
Estoque celetista em dezembro — 266.031 Novo Caged
Rendimento médio de todos os
trabalhos
— R$ 3.129 PNAD Contínua
Rendimento médio do trabalho
no Brasil
— R$ 3.560 PNAD Contínua
Rendimento domiciliar per capita R$ 1.737 R$ 2.036 PNAD Contínua
A criação de vagas é uma conquista, mas não encerra o desa fi o.
O rendimento médio de todos os trabalhos foi de R$3.129 em 2025,
valor 12,1% inferior à média nacional de R$3.560. O salário real médio de
admissão permaneceu próximo de R$1,9 mil a R$2 mil durante grande
parte do ano e encerrou dezembro em R$1.967. Isso mostra que muitas
das novas oportunidades ainda estão concentradas em funções de
menor remuneração. O comércio, construção, administração pública,
atividades primárias e serviços de menor produtividade continuam
tendo grande peso na estrutura ocupacional do Estado.
O Tocantins avançou na geração de empregos e na criação de
novas oportunidades para sua população. O próximo passo é ampliar
essas conquistas, avançando também na produtividade e na
quali fi cação pro fi ssional. Isso exige investimento em educação
pro fi ssional, em indústria, em agroindústria, em tecnologia, em
bioeconomia, turismo, logística e em serviços especializados. O
desenvolvimento precisa ser percebido no orçamento das famílias.
Quando o emprego cresce, mas o salário permanece baixo, a
economia avança sem produzir a segurança e a mobilidade social
esperadas pela população.
O QUE O CONJUNTO DOS INDICADORES REVELA
O Tocantins é um Estado de grande extensão, de baixa
densidade populacional e de municípios de pequena escala. Essa
realidade aumenta os custos dos serviços públicos e di fi culta a oferta
local de estruturas especializadas.
Ao mesmo tempo, a economia apresenta forte crescimento,
elevada competitividade agropecuária e resultados expressivos no
comércio exterior. Ainda assim, o Estado transforma pouco do que
produz e mantém uma participação industrial reduzida.
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O emprego cresceu e o desemprego caiu, mas a remuneração
média continua abaixo da média nacional. A pobreza recuou, porém
ainda atinge uma parcela signi fi cativa da população.
No saneamento, o tratamento do esgoto coletado apresenta
bom desempenho, mas as redes alcançam poucas famílias. Na gestão
dos resíduos, a coleta seletiva e a reciclagem permanecem limitadas,
enquanto grande parte dos municípios ainda convive com destinação
inadequada.
A expansão produtiva também continua exercendo forte pressão
sobre o Cerrado. O desa fi o é conciliar competitividade econômica,
conservação ambiental e segurança hídrica.
Na educação, há avanços concretos, especialmente na
alfabetização, nos anos iniciais, na educação integral e na formação
técnica. O Estado, contudo, ainda precisa enfrentar as desigualdades
territoriais, as perdas de aprendizagem e os desa fi os dos anos fi nais e
do ensino médio.
O Tocantins possui recursos naturais, capacidade produtiva,
posição estratégica e uma população capaz de construir um novo ciclo
de desenvolvimento. O que falta é transformar essas forças em
oportunidades mais bem distribuídas, por meio de planejamento, de
integração territorial e de políticas orientadas para resultados.
O desenvolvimento que se pretende construir deve gerar
empregos de qualidade, reter mais riqueza no território e ampliar a
autonomia dos municípios. Deve também reduzir as desigualdades
regionais, melhorar os serviços públicos e assegurar que o crescimento
econômico se transforme em oportunidades reais para todas as
famílias.
O futuro do Tocantins depende de uma escolha clara: fazer com
que a riqueza produzida no Estado também seja transformada,
compartilhada e percebida na vida de quem vive aqui.
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