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preservação ambiental. A política estadual
de recursos hídricos e saneamento estará
voltada ao cumprimento das metas de
universalização dos serviços, à proteção de
nascentes e mananciais, ao fortalecimento
dos Comitês de Bacia Hidrográfica e
à realização de obras estruturantes
para ampliar a reservação e garantir a
segurança hídrica, tanto para o consumo
humano quanto para a produção.
DIRETRIZES E AÇÕES
A Coligação Com o Povo fortalecerá
a estrutura pública de planejamento e
gestão dos recursos hídricos, assegurando
suporte técnico aos municípios e o pleno
funcionamento dos 25 Comitês de Bacia,
com participação dos usuários, prefeituras
e sociedade civil. Serão ampliados os
investimentos em saneamento nas
periferias e áreas rurais, com sistemas
de esgotamento, tratamento de água e
abastecimento, e reforçada a atuação
da AGERGS na fiscalização das metas de
universalização e redução das perdas nas
redes de distribuição.
O Estado ampliará a segurança hídrica
por meio do financiamento de cisternas,
microaçudes e pequenas barragens
para a agricultura familiar e expandirá
a rede telemétrica de monitoramento
e alerta para secas e cheias. Serão
protegidas nascentes e matas ciliares,
com Pagamento por Serviços Ambientais
aos produtores que preservarem áreas
estratégicas.
Nas cidades, serão apoiadas soluções de
drenagem sustentável e infraestrutura
verde, como parques lineares, bacias
de retenção, jardins de chuva e pisos
permeáveis, além da adaptação das
estações de tratamento de água e esgoto
aos riscos de inundação. Os recursos do
Fundo Estadual de Recursos Hídricos serão
prioritariamente destinados a projetos de
saneamento e recuperação ambiental
definidos no âmbito dos Comitês de Bacia.
2.5 - MEIO AMBIENTE, TRANSIÇÃO
ECOLÓGICA E PROTEÇÃO DO BIOMA
PAMPA E MATA ATLÂNTICA
DIAGNÓSTICO SITUACIONAL
O patrimônio ambiental do Rio Grande do
Sul enfrenta pressões crescentes, expressas
na descaracterização do Bioma Pampa
pela expansão de monoculturas intensivas,
na degradação dos remanescentes da
Mata Atlântica e na consequente perda da
biodiversidade nativa. O enfraquecimento
das estruturas de fiscalização da Sema
e da Fepam reduziu a capacidade
do Estado de prevenir, fiscalizar e
responsabilizar adequadamente
infrações e danos ambientais. Ao mesmo
tempo, a emergência climática impõe
a necessidade de superar uma atuação
predominantemente reativa e avançar
para uma política ambiental proativa,
orientada pela prevenção, pela adaptação
e pela transição ecológica.
A Coligação Com o Povo compreende
as questões ambiental e social como
dimensões inseparáveis de um mesmo
projeto de desenvolvimento: não
há desenvolvimento sustentável e
duradouro com degradação ambiental
e aprofundamento das desigualdades. O
Governo assumirá papel ativo na condução
da transição ecológica, fortalecendo os
órgãos públicos de fiscalização e proteção
ambiental, preservando os biomas e
a biodiversidade nativa, valorizando o
conhecimento científico e promovendo
a justiça socioambiental como princípio
orientador das políticas públicas.
DIRETRIZES E AÇÕES
A Coligação Com o Povo promoverá
uma política ambiental orientada pela
preservação dos biomas, pela transição
ecológica e pelo fortalecimento da
capacidade pública de fiscalização,
recompondo os quadros técnicos da
Sema e da Fepam e atualizando o
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planejamento estadual de adaptação e
mitigação climática. Serão fortalecidas e
ampliadas as Unidades de Conservação,
com infraestrutura, servidores, tecnologia,
educação ambiental e incentivo ao
ecoturismo. A Política Estadual de Recursos
Hídricos será efetivada, com ações de
segurança hídrica, recuperação das
bacias e monitoramento das águas.
O Zoneamento Ecológico-Econômico
orientará o uso sustentável do território,
conciliando produção, conservação e
prevenção da ocupação de áreas de risco.
O Governo intensificará o combate
aos crimes ambientais e a proteção
da biodiversidade, ampliando o
monitoramento tecnológico e fortalecendo
o Batalhão Ambiental da Brigada Militar.
Serão incentivadas a agroecologia e
a preservação de sementes crioulas,
apoiados os municípios na erradicação
de lixões e na transição para a economia
circular e implantados Centros Regionais
de Triagem de Animais Silvestres. O
Estado ampliará ainda o controle sobre
o uso de agrotóxicos, especialmente
próximo a escolas, comunidades rurais e
mananciais, e fortalecerá a participação
da comunidade científica e das entidades
ambientalistas no Conselho Estadual do
Meio Ambiente.
2.6 - DEFESA CIVIL E GESTÃO PREDITIVA DE
RISCOS CLIMÁTICOS
DIAGNÓSTICO SITUACIONAL
As recentes catástrofes climáticas no Rio
Grande do Sul evidenciaram os limites de
um modelo de Defesa Civil historicamente
concentrado na resposta emergencial
e no socorro após a ocorrência dos
desastres. O Estado ainda carece de uma
estrutura científica pública e integrada
capaz de realizar o monitoramento
hidrometeorológico permanente, produzir
informações qualificadas e antecipar
cenários de risco. A articulação entre
a Defesa Civil estadual e os municípios
precisa ser fortalecida e institucionalizada,
assim como os planos de contingência,
evacuação e proteção das comunidades,
que devem ser permanentemente
atualizados e testados junto às populações
das áreas de risco.
A Coligação Com o Povo, no governo,
promoverá uma mudança de paradigma,
avançando da gestão de desastres para
uma política permanente de prevenção
e gestão preditiva de riscos. A ciência
climática ocupará papel central no
planejamento do Estado, com estrutura
técnica especializada e permanente,
monitoramento contínuo, sistemas
modernos de previsão e alerta antecipado
e integração entre Estado, municípios,
universidades e instituições científicas. O
objetivo será ampliar a capacidade de
prevenção, antecipar eventos extremos,
reduzir vulnerabilidades e, acima de tudo,
proteger a vida da população gaúcha.
DIRETRIZES E AÇÕES
A Coligação Com o Povo transformará a
Defesa Civil em uma política permanente
de prevenção e gestão preditiva dos riscos
climáticos, incorporando a ciência do clima
à estrutura pública estadual e ampliando
a capacidade de pesquisa, previsão
meteorológica e monitoramento dos rios.
Será implantado um Sistema Integrado
de Alerta Precoce nas bacias críticas
e profissionalizado o quadro técnico
da Defesa Civil, com meteorologistas,
geólogos, oceanógrafos, engenheiros e
outros especialistas. O Estado apoiará
os 497 municípios na elaboração e
atualização de planos de contingência e
evacuação, na realização de simulados
e no mapeamento das áreas sujeitas a
inundações e deslizamentos.
A prevenção será construída em parceria
com comunidades, escolas e instituições
científicas, com a formação de brigadas
comunitárias de Defesa Civil e a criação
de uma rede gaúcha de pesquisa sobre
eventos extremos, articulada pela Fapergs
e integrada às universidades públicas e
comunitárias. Serão adotados protocolos
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específicos de proteção e resgate de
animais em desastres, incorporados
conteúdos de percepção de risco e
autoproteção nas escolas e assegurado
o acesso público aos dados produzidos
por radares e estações meteorológicas
estaduais.
2.7 - MOBILIDADE URBANA METROPOLITANA
DIAGNÓSTICO SITUACIONAL
A mobilidade urbana nas regiões
metropolitanas do Rio Grande do Sul,
especialmente na Região Metropolitana
de Porto Alegre e no Eixo Norte, enfrenta
problemas estruturais decorrentes do
aumento das tarifas, da redução do
número de passageiros no transporte
coletivo e da insuficiente integração entre
os sistemas municipais e intermunicipais.
Essa fragmentação compromete a
qualidade, a eficiência e a acessibilidade
do transporte público, penalizando
principalmente a população que depende
diariamente desses serviços. Ao mesmo
tempo, o sistema metroferroviário operado
pela Trensurb, fortemente atingido
pelas inundações de 2024, necessita de
investimentos estruturantes para sua
recuperação, modernização, expansão
e proteção diante de futuros eventos
climáticos extremos.
A Coligação Com o Povo compreende a
mobilidade como direito social e condição
fundamental para o pleno acesso à
cidade, ao trabalho, à educação, à
saúde e aos demais serviços públicos.
O Governo fortalecerá a coordenação
metropolitana do transporte coletivo,
promovendo a integração física,
operacional e tarifária entre os diferentes
sistemas, o fortalecimento e a expansão
do transporte metroferroviário público e
a construção progressiva de uma política
de tarifa socialmente justa, sustentada
por mecanismos transparentes de
financiamento e subsídio público.
DIRETRIZES E AÇÕES
A Coligação Com o Povo tratará a
mobilidade urbana como direito social e
instrumento de integração metropolitana,
reestruturando a Metroplan e fortalecendo
o planejamento, a fiscalização e o controle
social do transporte coletivo. O Governo
articulará a implantação do Bilhete
Único Metropolitano, integrando ônibus
municipais, intermunicipais e Trensurb, com
tarifas socialmente justas. Defenderá a
Trensurb como empresa pública e buscará,
junto ao Governo Federal, investimentos
para sua recuperação, proteção contra
eventos climáticos e expansão, além de
incentivar a renovação das frotas com
veículos elétricos e de baixa emissão.
A política de mobilidade promoverá a
diversificação e a integração dos meios
de transporte, ampliando o transporte
hidroviário de passageiros no Guaíba e na
Laguna dos Patos, incentivando ciclovias
intermunicipais e bicicletários integrados
aos terminais e assegurando acessibilidade
no transporte público. Serão também
ampliadas as alternativas de transporte
intermunicipal para estudantes dos ensinos
técnico e superior, especialmente os
residentes nas periferias metropolitanas.
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DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
SUSTENTÁ VEL E REINDUSTRIALIZAÇÃO 3
3.1 - AGRICULTURA FAMILIAR E
ABASTECIMENTO ALIMENTAR
DIAGNÓSTICO SITUACIONAL
A agricultura familiar é responsável por
grande parte dos alimentos que chegam à
mesa dos gaúchos, mas enfrenta o êxodo
rural, o envelhecimento das famílias, a falta
de sucessão geracional e deficiências de
infraestrutura. As mudanças climáticas,
a dependência de insumos externos e o
avanço das monoculturas, como a soja,
agravam o endividamento e comprometem
a sustentabilidade econômica e produtiva
das propriedades.
Outro desafio é o acesso aos mercados
e a agregação de valor por meio da
agroindustrialização. Para ampliar a
renda das famílias, é necessário estimular
a venda direta aos consumidores,
as compras governamentais e os
programas de aquisição de alimentos,
além de fortalecer o cooperativismo e o
associativismo, aproximando produção e
consumo.
Nesse contexto, o fortalecimento da
Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR)
é fundamental para coordenar as políticas
de apoio à agricultura familiar e manter
um canal permanente de diálogo com sua
ampla base social e econômica.
DIRETRIZES E AÇÕES
A Coligação Com o Povo promoverá a
transição para uma agricultura familiar
sustentável, agroecológica e resiliente às
mudanças climáticas, protegendo solo
e água e valorizando quem preserva.
Será retomado o Plano Safra Gaúcho,
em parceria com o Governo Federal,
sistema financeiro e organizações sociais,
ampliando crédito e apoio à produção.
O Estado fortalecerá a comercialização
direta, o cooperativismo e a
agroindustrialização familiar. Será criado
um Programa Estadual de Abastecimento
para disponibilizar produtos da
agricultura familiar, de suas cooperativas
e associações diretamente aos
consumidores, ampliando o mercado para
os produtores e garantindo à população
alimentos de qualidade a preços
acessíveis. Serão também ampliadas as
compras governamentais, destinando
parcela significativa dos recursos de
alimentação escolar, hospitais, presídios
e programas sociais à agricultura familiar,
com prioridade aos segmentos mais
vulneráveis, bem como o acesso à internet
e a infraestrutura de armazenamento de
água no meio rural.
Políticas específicas apoiarão a
autonomia das mulheres, a permanência
dos jovens e a sucessão rural. Em
articulação com o Governo Federal,
serão promovidos o acesso à terra e o
desenvolvimento dos assentamentos, com
fortalecimento do FUNTERRA e de uma
estrutura estadual de política fundiária.
A pesquisa, a extensão e a assistência
técnica serão fortalecidas e integradas,
articulando EMATER, UERGS, FAPERGS,
organizações do campo e uma estrutura
estadual de pesquisa agropecuária.
3.2 - AGROPECUÁRIA SUSTENTÁVEL
DIAGNÓSTICO SITUACIONAL
A agropecuária é um dos pilares da
economia do Rio Grande do Sul, com
forte participação na geração de renda,
empregos e desenvolvimento regional.
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Entretanto, setores tradicionais enfrentam
desafios relevantes. A pecuária extensiva
do Pampa convive com a perda de
competitividade, enquanto a cadeia do
leite sofre com a instabilidade dos preços
e a concorrência de produtos importados.
Ao mesmo tempo, as mudanças climáticas
tornam urgente a incorporação de novas
tecnologias, o manejo sustentável do solo e
dos rebanhos e o aumento da eficiência e
da resiliência produtiva.
A Coligação Com o Povo promoverá uma
agropecuária moderna, competitiva
e sustentável, articulando inovação,
produtividade e conservação do Bioma
Pampa. O Governo estimulará a agregação
de valor à produção agropecuária,
especialmente à carne e ao leite gaúchos,
fortalecerá as cadeias produtivas locais,
assegurará uma defesa sanitária rigorosa e
atuará na proteção dos produtores diante
de práticas comerciais que comprometam
condições justas de concorrência.
DIRETRIZES E AÇÕES
A Coligação Com o Povo reconstruirá a
capacidade pública de planejamento,
defesa agropecuária, fomento e
inteligência econômica da Secretaria
da Agricultura e fortalecerá a pesquisa
estadual, recuperando funções da antiga
Fepagro e ampliando a atuação do IRGA.
Pesquisa, assistência técnica e inovação
serão orientadas à resiliência climática,
conservação do solo e da água, genética,
bioinsumos, diversificação produtiva e
adaptação das diferentes escalas de
produção, tendo as bacias hidrográficas
como referência de planejamento.
O Estado estimulará a agroindustrialização
e a agroenergia, agregando valor à
produção de soja, canola e outros grãos
e incentivando culturas de inverno para
abastecer a indústria de biocombustíveis
e gerar novas fontes de renda. Serão
fortalecidas a pecuária de qualidade,
especialmente no Pampa, e cadeias
como leite, arroz, frutas, viticultura, mel,
erva-mate, ovinos, suínos e aves, além
de atividades emergentes, com crédito,
seguro, assistência técnica, sanidade,
certificação e apoio à comercialização.
Programas específicos apoiarão cadeias
em dificuldades e a recuperação e
o fortalecimento das cooperativas
agropecuárias.
O Governo ampliará a inserção da
produção gaúcha nos mercados, com
rastreabilidade, defesa sanitária e
adequação às exigências ambientais e
comerciais internacionais, protegendo
as cadeias regionais e estimulando a
agregação de valor. A regularização
ambiental será simplificada para
ampliar o acesso ao crédito e ao
seguro agrícola, enquanto agricultura
de precisão, digitalização, bioinsumos,
manejo regenerativo e mecanização
serão incentivados. Em parceria com a
SEDUC, as escolas agrícolas estaduais
serão fortalecidas, articulando formação,
inovação, agroecologia, cooperativismo e
sucessão rural.
3.3 - COMÉRCIO, SERVIÇOS, ECONOMIA
DO MAR E POLO EXPORTADOR DO
MERCOSUL
DIAGNÓSTICO SITUACIONAL
O comércio e os serviços estão entre os
maiores empregadores do Rio Grande
do Sul, mas foram fortemente afetados
pelas sucessivas crises econômicas e
pela crescente concorrência de grandes
plataformas internacionais, que muitas
vezes operam em condições tributárias
distintas das empresas locais. Ao mesmo
tempo, importantes potencialidades
permanecem subaproveitadas, entre elas
a Economia do Mar — envolvendo a zona
costeira, a pesca, as atividades portuárias
e os serviços associados — e a posição
estratégica do Estado como porta de
entrada e saída do Mercosul.