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PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA
POR UM BRASIL
SOBERANO E
SOCIALISTA
COM OS
lhadores CONTRA O
sistema
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O Brasil é um país rico, figurando entre as dez maiores economias do mundo segundo o
Fundo Monetário Internacional (FMI). Ao mesmo tempo, é um dos países mais desiguais
do planeta, com mais de dois terços da população recebendo até dois salários mínimos
segundo o IBGE. A vida real da classe trabalhadora e do povo pobre, assim, não reflete os
dados oficiais e o discurso do governo, de um suposto aumento da renda e baixa na
inflação. Ao contrário, o custo de vida só aumenta a cada dia. A inflação, principalmente
dos produtos mais básicos como os alimentos, corroi o poder de compra das famílias,
assim como o elevado preço dos aluguéis, inflacionado pela especulação imobiliária, ou a
alta na conta de luz, no esteio da privatização do setor elétrico no país.
Essa grande maioria da população, que custa a fazer com que os salários cheguem até o
final do mês, dependem de serviços públicos cada vez mais precários. Na Saúde, o SUS,
uma conquista da classe trabalhadora, sofre um verdadeiro processo de destruição. Filas
extensas, exames e agendamento com especialistas são hoje um verdadeiro calvário
para a grande maioria da população. O ensino público segue pelo mesmo caminho, da
educação básica às universidades públicas.
Como se não bastasse, a violência urbana vem se transformando num dos principais
problemas das famílias. Nas periferias e nos grandes centros urbanos, a violência policial
por meio, principalmente, da Polícia Militar, submete toda uma população a um estado de
exceção permanente, com execuções sumárias, chacinas e o encarceramento em massa,
sob a justificativa da “guerra às drogas”. Essa mesma população, muitas vezes, sobrevive
sob o domínio do crime organizado, transfigurado hoje em verdadeiras empresas
capitalistas que exploram e oprimem populações inteiras. No dia a dia, o trabalhador sai
de casa sem saber se vai voltar devido à criminalidade urbana.
Mas por que num país tão rico a imensa maioria do povo ganha tão pouco e vive cada vez
pior?
Ao contrário de um falso discurso inspirado e propagado pela extrema direita, não é
"preguiça" ou "falta de trabalhar" devido a políticas como o Bolsa Família, bastante
insuficiente por sinal. No Brasil, trabalha-se muito. Mais de 60% dos trabalhadores
formais se submetem à escala 6×1 e bem acima de 40 horas semanais (dados do Anuário
Estatístico do Ilaese-2025). Já os trabalhadores fora da formalidade, como os de
aplicativos, são obrigados a realizar jornadas muitas vezes acima disso, sem nenhuma
proteção social e ainda deixando boa parte da renda às grandes plataformas
estrangeiras, como a estadunidense Uber ou a chinesa 99. No Brasil, trabalha-se cada
vez mais para se viver cada vez pior.
O problema é que o Brasil é controlado por cerca de 250 grandes conglomerados
capitalistas, grande parte transnacionais, cujo único interesse é explorar ao máximo a
mão de obra do trabalhador brasileiro e nossos recursos naturais, como as cobiçadas
"terras raras". A riqueza produzida aqui, assim, não é reinvestida no país, muito menos se
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transforma em melhorias para a população, como renda, direitos sociais ou serviços
públicos. Ao contrário, quanto mais avança e aprofunda essa exploração, mais o país se
empobrece, pois não há nenhum interesse em reindustrializar e desenvolver o Brasil e
garantir o que quer que seja aos trabalhadores.
O projeto das grandes potências capitalistas é, por meio de seus monopólios, sugar o
máximo das riquezas produzidas aqui. Nessa configuração, o país vai se convertendo
cada vez mais em uma grande plataforma de exportação de produtos primários, como
café, soja, minério de ferro e terras raras. São produtos que abastecem o mercado
internacional, e, lá fora, passam por processos de beneficiamento, enquanto aqui
continuamos cada vez mais dependentes de produtos industrializados, de alto valor
agregado.
Trata-se de uma política de uma verdadeira reversão colonial, que, nas últimas três
décadas, vem fazendo o Brasil regredir cada vez mais. Fora das cadeias de produção de
alto valor, resta ao Brasil o papel de fornecer as chamadas commodities ao mercado
externo. O que sobra para o país? Sem indústria de ponta, com um peso cada vez maior
do grande agronegócio e com uma economia desnacionalizada, dominada por grandes
monopólios estrangeiros, restam os empregos de baixos salários, precarizados, e uma
brutal superexploração. O resultado é um país, na prática, pobre que se degrada cada vez
mais.
A voracidade do capital internacional imperialista avança sobre as áreas estratégicas e os
serviços públicos. O setor elétrico é um forte exemplo disso, refletindo nas altas contas
de luz e em serviços cada vez piores. Até mesmo o saneamento básico está sendo
entregue aos grupos estrangeiros, num sentido inverso a diversos países da Europa que
hoje estão sendo obrigados a reverterem uma série de privatizações do setor de
saneamento.
Se neste projeto não cabem investimentos em industrialização, tampouco faz sentido
garantir educação, saúde, segurança e desenvolver pesquisa ou tecnologia. Essa é a
razão pela qual vemos o sucateamento de universidades, centros e agências de fomento.
O que o imperialismo deseja, seus governos aplicam e uma submissa burguesia nacional
apoia, é o aprofundamento de uma mão de obra cada vez mais barata, disciplinada, com
cada vez menos direitos e dependente do capital, ou seja das grandes empresas e
multinacionais, para garantir o mínimo de sobrevivência.
Não é por menos que, nos governos estaduais, sejam governadas pelo PT ou a extrema
direita, o que chamam de "segurança pública", na verdade, aparatos de repressão
policial, sejam priorizados como política pública. Porque isso não tem nada a ver com
garantir a segurança do trabalhador e das famílias brasileiras. Isso tem a ver com conter
e disciplinar, seja pelo encarceramento em massa, seja pelo genocídio da juventude,
principalmente negra e periférica, qualquer expressão de revolta ou descontentamento
social.
Se o Brasil sempre foi, nestes 526 anos de existência, marcado pela submissão, primeiro
à então metrópole portuguesa, e depois às grandes potências capitalistas, o que ensejou
uma desigualdade e dependência estrutural, hoje, essa subserviência, nos marcos de
uma crise capitalista mundial, continua se expressando de forma cada vez mais
dramática. Em praticamente todos os setores da sociedade. Dos baixos salários, à
superexploração, à degradação dos serviços públicos, retirada de direitos, entrega e
privatização e na violência urbana que afeta, sobretudo, as famílias da classe
trabalhadora. É um verdadeiro processo de retrocesso social que tem como raiz o
domínio de um pequeno grupo de monopólios e a subserviência às grandes potências
capitalistas.
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Enfrentar os capitalistas e o
imperialismo em defesa da
soberania nacional
As candidaturas do PT, do centrão e da extrema direita prometem, de forma vaga,
melhorar a vida da população. Mas isso é simplesmente impossível mantendo o país
dominado pelo imperialismo. E enfrentar as grandes potências capitalistas é algo que não
vão fazer, seja porque não é seu projeto, seja porque são aliadas a uma burguesia
nacional que tem em seu DNA a submissão, e, como projeto, se perpetuar enquanto
sócia-menor do imperialismo, satisfazendo-se com as migalhas que caem da mesa dos
poderosos.
Os sucessivos ataques imperialistas de Trump à América Latina, que no Brasil se
concretizaram no tarifaço, apoiado na extrema direita bolsonarista, é um exemplo
inconteste disso. Mesmo os setores mais afetados com a taxação do governo dos EUA
suplicam para que não haja, por parte do governo Lula, qualquer retaliação ou política de
reciprocidade. Confirmam, assim, seu papel intrinsecamente subserviente aos mandos
de Trump e dos EUA. Uma burguesia covarde que prefere abrir mão da soberania de seu
próprio país para garantir seus centavos.
Isso significa que, se enfrentar o imperialismo é condição primordial para desatar os nós
que fazem o país retroceder cada vez mais, e abrir a possibilidade de um real
desenvolvimento do país, com uma reindustrialização que sirva à classe trabalhadora, é
a própria classe trabalhadora, e os setores mais oprimidos da sociedade que podem
encabeçar uma verdadeira luta anti-imperialista e conquistar a real soberania do Brasil.
ENQUANTO A EXTREMA DIREITA ARTICULA ATAQUE COM TRUMP,
PT NÃO É CONTRA O IMPERIALISMO
A candidatura de Flávio Bolsonaro, assim como as outras alternativas de extrema direita,
tem como projeto acelerar essa entrega do país. Flávio Bolsonaro, junto com sua família,
articulou o tarifaço contra o Brasil em Washington, pediu ajuda a Trump nas eleições e
chegou ao cúmulo de oferecer uma equipe de transição com o governo estadunidense
caso vença as eleições. Ou seja, numa ação sem precedentes, ofereceu entregar
formalmente a administração do Brasil a uma potência estrangeira imperialista. Ele não
quer só aprofundar a dominação imperialista no Brasil, mas passar formalmente a
administração do país às mãos do imperialismo.
Seu programa é, desta forma, a entrega do Brasil aos EUA, sem abrir mão de um projeto
autoritário que caracteriza o bolsonarismo.
Mas também é preciso dizer a verdade: o governo Lula não representa uma alternativa
para romper com esse sistema. Apesar do discurso social, governa em aliança com
grandes empresários, bancos, o grande agronegócio e centrão, mantendo a total
submissão do país à rapina imperialista. Mantém o arcabouço fiscal e a agiotagem
escandalosa do pagamento da dívida, preserva os lucros dos bilionários, concede
subsídios às multinacionais e submete o país às exigências do imperialismo. Administra,
assim, a crise do capitalismo brasileiro e a tremenda decadência do país sem enfrentar
suas causas estruturais.
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Enquanto o bolsonarismo promete entregar o Brasil aos EUA, o governo Lula negocia com
Trump, como na questão das terras raras, mas mantém um leque de possibilidades para
negociar nossas riquezas com outras potências, abrindo mão da soberania. Como o
decadente imperialismo europeu, como vimos recentemente com o acordo Mercosul e
União Europeia, em que o país acessa o mercado europeu com produtos primários, e se
abre aos automóveis e demais produtos de alto valor agregado de países como
Alemanha e França. Ou mesmo a China, uma potência em ascensão que avança sobre
parte cada vez maior de nossa economia.
NÃO É POSSÍVEL UMA REAL SOBERANIA SEM ROMPER COM O IMPERIALISMO
Não é possível falar em um país soberano sem problematizar uma ruptura com o
imperialismo, isto é, com os países dominantes na atual divisão internacional do trabalho.
Os Estados Unidos e os países europeus, que dominam a cadeia de produção com maior
valor agregado existente no Brasil, há décadas apenas extraem a riqueza produzida pela
classe trabalhadora brasileira sem realizar nenhum investimento de maior monta.
Parasitam nossos recursos e alimentam suas matrizes: eis a fuga de capitais que
constantemente desvaloriza nossa moeda, exigindo que se queimem os royalties do
petróleo e da mineração, bem como os excedentes do agronegócio e outros setores
exportadores em meras operações cambiais.
Tampouco a China é uma alternativa. O gigante asiático tem priorizado adquirir empresas
brasileiras em vez de construir novas, isto é, realizar a compra de ativos já existentes –
fusões e aquisições –, sobretudo em setores como energia, mineração e infraestrutura.
Nesses casos, o investimento estrangeiro entra no país apenas para trocar a propriedade
do capital: nem uma nova unidade produtiva é criada, nem um emprego adicional surge,
e a produção nacional não aumenta um só centavo. Mesmo quando novas instalações
são abertas, como no caso da BYD, grande parte da cadeia produtiva permanece na
China, cabendo ao Brasil apenas a etapa final de montagem. O resultado é que, à medida
que empresas chinesas substituem outras no mercado automobilístico brasileiro,
definham as empresas nacionais de autopeças, siderúrgicas e químicas que até então
abasteciam as montadoras instaladas no país.
Defender a soberania do Brasil, neste marco, significa garantir que as riquezas
produzidas no país permaneçam sob controle nacional e sejam direcionadas às
necessidades da população. Isso implica enfrentar os interesses do grande capital e dos
monopólios estratégicos, inclusive por meio da retomada e do controle de setores
fundamentais hoje privatizados.
É a classe trabalhadora, em toda sua diversidade atual, incluindo trabalhadores formais e
informais, de aplicativos, do campo e da cidade, o sujeito capaz de enfrentar o grande
capital, o imperialismo e a burguesia nacional a eles associada. Seus aliados são os
setores oprimidos, os povos indígenas, os camponeses, os pequenos proprietários e
todos aqueles que sofrem com essa estrutura de dominação.
O programa do PSTU, representado nestas eleições na candidatura de Hertz Dias à
Presidência, com Vanessa Portugal vice, aponta que o caminho para uma verdadeira
soberania, e desenvolvimento do país para atender as necessidades da classe
trabalhadora, não passa pela conciliação de classes, com a direita, o centrão ou o próprio
imperialismo. É sim o da organização, luta e da construção de instrumentos próprios da
classe trabalhadora. Só desta forma será possível romper com o ciclo de dominação e da
condição de colônia e semicolônia que, desde sempre, marcou a realidade brasileira.