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O princípio da redução das desigualdades regionais, enunciado no capítulo terceiro, exige mais
do que declarações. Exige que o plano desça ao território. Sergipe é um estado pequeno em
extensão, mas plural em realidades: o sertão que convive com a seca, o vale que convive com
o rio, o litoral que recebe o turista, o agreste que produz e a metrópole que concentra. Um
governo que trate esses territórios como se fossem um só governará bem, no máximo, para um
deles. Por isso, este capítulo percorre as regiões do Estado e assume, para cada uma,
compromissos específicos, que se articulam aos eixos temáticos já apresentados e os traduzem
em obras, serviços e prioridades que a população de cada lugar reconhece como suas.
5.1. Região Sul
A Região Sul ocupa posição estratégica no mapa do desenvolvimento sergipano: é a porta de
entrada do Estado para quem vem da Bahia e o elo natural entre a economia sergipana e a
região metropolitana de Salvador, o maior mercado consumidor do Nordeste. Essa vocação,
contudo, permanece subaproveitada por déficits de infraestrutura que este plano se compromete
a enfrentar de forma sistemática, em três frentes que se complementam.
A primeira frente é a pavimentação dos povoados dos doze municípios da Região Sul. A
medida se justifica precisamente pela localização estratégica da região na divisa com o Estado
da Bahia: estradas vicinais pavimentadas promovem agilidade no escoamento da produção
agropecuária, inauguram um novo e intenso ciclo de circulação de bens e serviços e, o que é
igualmente decisivo, integram com dignidade as populações mais interioranas à dinâmica
socioeconômica regional. Um povoado sem acesso pavimentado é um povoado apartado da
escola, do hospital, do mercado e da oportunidade. Pavimentar é, nesse sentido, política
econômica e política social ao mesmo tempo.
A segunda frente é a revitalização das praias da Região Sul: a Praia do Saco, a Praia das Dunas
e a Praia do Abaís. Também aqui a geografia comanda o argumento. Essas praias estão na rota
da Linha Verde, que liga diretamente a zona metropolitana de Salvador a Aracaju, colocando-
as no caminho de um dos maiores fluxos turísticos do país. Revitalizá-las, com urbanização
das orlas, saneamento, ordenamento da ocupação e qualificação dos serviços, significa ampliar
o turismo de todo o Estado de Sergipe a partir do atrativo natural do seu litoral sul, conquistando
um visitante que hoje atravessa a região sem parar nela.
A terceira frente é a construção da Ponte do Povoado Ouricuri, no Município de Estância,
ligando a Região Sul do Estado à sua zona litorânea. Atualmente, os dois acessos disponíveis
às praias da região passam por Itaporanga D'Ajuda, de um lado, ou por Santa Luzia do Itanhy
e Indiaroba, de outro. São trajetos longos, que pesam no bolso e no tempo de moradores,
produtores e turistas. A ponte encurtará o percurso em aproximadamente trinta quilômetros,
com efeitos imediatos sobre o custo do transporte, o tempo de deslocamento e a atratividade
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turística de todo o litoral sul, funcionando como a obra de articulação que dá pleno sentido às
duas frentes anteriores.
5.2. Praia do Saco: um ativo de projeção nacional
Dentro da estratégia para o litoral sul, a Praia do Saco merece tratamento destacado. Trata-se
de destino com projeção nacional e internacional, em razão de sua beleza natural singular, o
encontro do Rio Real com o oceano, emoldurado por dunas e coqueirais, e de sua localização
estratégica na divisa com o Estado da Bahia, bem em frente à Praia de Mangue Seco, no
Município de Jandaíra, destino igualmente consagrado. Essa vizinhança não é concorrência: é
complementaridade. O visitante que chega a Mangue Seco está a uma travessia de distância do
litoral sergipano, e cabe ao poder público transformar essa proximidade em roteiro integrado.
A revitalização da Praia do Saco compreenderá a requalificação urbanística da orla e dos
acessos, a implantação de infraestrutura de saneamento e de recepção ao turista, o ordenamento
da ocupação, protegendo o patrimônio natural que é o próprio ativo turístico, e a estruturação,
em articulação com o eixo de turismo deste plano, de um produto turístico integrado entre os
dois estados: o roteiro Saco e Mangue Seco, promovido conjuntamente nos mercados
emissores. A Praia do Saco tem tudo para se tornar o cartão-postal do turismo sergipano. O que
lhe falta não é beleza, é investimento ordenado, e é esse investimento que este plano assegura.
5.3. Grande Aracaju
A Grande Aracaju concentra quase metade da população do Estado e a maior parte dos seus
deslocamentos diários, e seus desafios são os de toda metrópole que cresceu mais depressa do
que se planejou: mobilidade urbana pressionada, transporte coletivo perdendo qualidade e
passageiros, periferias com déficit de serviços e drenagem urbana insuficiente. O governo
atuará na reorganização do sistema metropolitano de transporte coletivo, com racionalização
de linhas, priorização viária do ônibus e integração tarifária. Atuará na requalificação dos
corredores viários estruturais e das ligações entre os municípios da região, no apoio à drenagem
urbana e à prevenção de alagamentos nos pontos críticos, e no fortalecimento dos serviços de
saúde e segurança das áreas periféricas, onde a pressão de demanda é maior. A capital e seu
entorno são a vitrine do Estado e seu principal polo de serviços. Cuidar do seu bom
funcionamento é cuidar da economia de todo o território sergipano.
5.4. Leste Sergipano
O Leste Sergipano articula a cana-de-açúcar, a citricultura e um patrimônio histórico dos mais
relevantes do Estado. Suas prioridades serão a diversificação produtiva, apoiando a
modernização da citricultura, que já foi orgulho sergipano e pode voltar a ser, e a agregação de
valor às cadeias agroindustriais existentes. Serão também a recuperação das rodovias de
escoamento que conectam a região aos eixos troncais e a inserção definitiva de suas cidades
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históricas nos roteiros turísticos estaduais, em diálogo direto com o eixo de turismo e cultura
deste plano. O Leste tem história, terra fértil e posição geográfica. O que o governo lhe deve é
infraestrutura e articulação.
5.5. Baixo São Francisco
O Baixo São Francisco é a região do rio. E o rio é, ao mesmo tempo, sua identidade, sua
economia e sua vulnerabilidade. A redução das vazões do Velho Chico afeta a pesca, a
rizicultura e o turismo fluvial, e exige do Estado uma atuação firme em duas direções: a defesa
institucional da revitalização do rio junto à União e aos comitês de bacia, e o apoio direto às
atividades produtivas ribeirinhas, como a piscicultura, a rizicultura irrigada, o artesanato e o
turismo náutico e cultural, que tem no conjunto paisagístico da foz um ativo de valor
incalculável. O governo investirá na estruturação dos roteiros turísticos do rio, no
fortalecimento das colônias de pescadores e na assistência técnica às lavouras de várzea, para
que a região que carrega tanto da história do Estado não seja a última a colher os frutos do seu
desenvolvimento.
5.6. Agreste Central
O Agreste Central é o coração produtivo e logístico do interior sergipano, com Itabaiana como
entreposto comercial que abastece o Estado e parte dos vizinhos. Suas prioridades serão a
qualificação da infraestrutura logística, com rodovias de acesso, anéis de contorno e apoio ao
transporte de cargas, o fortalecimento da horticultura e da fruticultura irrigada que caracterizam
a região, com assistência técnica e segurança hídrica, e o apoio ao comércio e aos serviços que
fazem do Agreste um polo regional de emprego. A vocação empreendedora do agrestino é
reconhecida em todo o Estado. O papel do governo é remover os gargalos que a limitam, não
substituí-la.
5.7. Centro-Sul
O Centro-Sul sergipano, polarizado por Lagarto, reúne agricultura consolidada, com destaque
para a mandiocultura, a citricultura e a fumicultura em transição, um polo universitário e de
saúde em expansão e uma posição rodoviária privilegiada. O governo apoiará a consolidação
da região como polo regional de saúde e educação superior, ampliando a capacidade dos
serviços de média complexidade que já atendem municípios vizinhos. Investirá na
diversificação das lavouras e na agroindustrialização da mandioca e das frutas regionais. E
qualificará os eixos rodoviários que fazem do Centro-Sul o entroncamento natural entre o
litoral, o agreste e o sertão.
5.8. Médio Sertão
O Médio Sertão vive fundamentalmente da pecuária leiteira e da agricultura familiar, e é uma
das regiões que mais dependem das políticas de segurança hídrica e assistência técnica
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detalhadas no eixo agropecuário deste plano. Aqui, esses compromissos ganham endereço:
ampliação da infraestrutura de abastecimento e de pequenos sistemas hídricos comunitários,
fortalecimento da bacia leiteira com apoio às queijarias e laticínios locais, inclusive na
adequação sanitária que lhes abre novos mercados, e extensão rural presente e continuada. O
Médio Sertão demonstra, há anos, que produz mesmo em condições adversas. Com água e
técnica, produzirá muito mais.
5.9. Alto Sertão
O Alto Sertão Sergipano é a região que mais duramente convive com a semiaridez. E é também
a que mais claramente demonstra a força transformadora do investimento público bem dirigido,
como atestam os perímetros irrigados que mudaram o perfil produtivo de parte do território.
As prioridades do governo serão a expansão e a modernização da infraestrutura hídrica e de
irrigação, dando escala ao que já provou funcionar, o fortalecimento da bacia leiteira e da
caprinovinocultura, vocações naturais do sertão, o apoio à energia solar como fonte de renda
complementar ao produtor, e a garantia de que os serviços públicos de saúde, educação e
segurança cheguem aos povoados mais distantes da sede. Porque a presença do Estado não
pode rarear na mesma proporção em que a chuva rareia. O sertanejo sergipano não pede favor.
Pede as condições que qualquer cidadão do litoral já tem. Este plano as assegura.
6. Governança e Monitoramento do Plano
Um plano de governo só tem valor se puder ser cobrado. E é justamente para tornar essa
cobrança possível que este capítulo existe. A execução deste plano seguirá mecanismos
explícitos de governança, começando pela sua tradução institucional: as metas aqui assumidas
serão incorporadas ao Plano Plurianual 2028-2031 e às leis orçamentárias anuais, de modo que
cada compromisso tenha lastro no orçamento e deixe de ser intenção para se tornar dotação.
Será instituído núcleo central de monitoramento de metas, vinculado diretamente ao
Governador, com acompanhamento sistemático da execução de cada eixo. Porque a
experiência ensina que meta sem dono e sem rotina de cobrança é meta que não se cumpre.
A prestação de contas será igualmente estruturada. O governo publicará, todos os anos,
relatório público de resultados, comparando as metas previstas com as alcançadas e
justificando, de forma fundamentada, os eventuais desvios. Errar faz parte de qualquer
empreendimento humano, mas esconder o erro não pode fazer parte de governo algum. E serão
realizados fóruns regionais periódicos de prestação de contas e escuta da população, inclusive
e especialmente no interior do Estado, fechando o ciclo que este plano propõe: diagnóstico,
ação, medição, transparência e correção de rumo. Com esses mecanismos, o presente
documento não se esgota no momento do registro da candidatura. Ele se converte em contrato
de gestão entre o governo e a sociedade sergipana, exigível ao longo de todo o mandato.
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7. Considerações Finais
O diagnóstico apresentado neste plano é honesto e, por isso mesmo, exigente. Sergipe tem
bases sociais razoáveis e sinais econômicos positivos, mas cresce menos do que poderia,
concentra oportunidades na capital e ainda não converteu seu potencial, em energia, em
turismo, em agropecuária e, sobretudo, em gente, em desenvolvimento efetivo. A resposta a
esse quadro, como se sustentou ao longo de todo este documento, não está em fórmulas
ideológicas de qualquer matiz. Está na gestão: planejamento sério, contas equilibradas, serviços
públicos que funcionam, ambiente favorável a quem produz e prioridade real para o interior.
As propostas aqui detalhadas não são uma lista de intenções soltas. Elas formam um todo
articulado, uma engrenagem em que cada peça move as demais. A responsabilidade fiscal
viabiliza o investimento. A educação e a qualificação alimentam a economia. A economia
diversificada amplia a arrecadação que financia a saúde, a segurança e a infraestrutura. E a
governança por metas assegura que tudo isso seja executado, medido e prestado em contas
perante a população. É essa engrenagem, e não promessas isoladas, que este plano oferece ao
povo sergipano.
Uma vez eleito, o candidato submeterá a execução deste plano à interlocução permanente com
a Assembleia Legislativa, com os municípios, com os órgãos de controle e com a sociedade
civil, sob os princípios da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da publicidade e da
eficiência que regem a Administração Pública brasileira.
Este documento é apresentado à Justiça Eleitoral em cumprimento ao disposto no art. 11, §1º,
IX, da Lei nº 9.504/1997, para instrução do pedido de registro de candidatura de Emanuel
Messias Oliveira Cacho ao cargo de Governador do Estado de Sergipe.