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Prioridade absoluta no combate à mortalidade materna e infantil. Nenhuma mulher deve
morrer parindo no estado mais rico da Amazônia.
E rede de atendimento integral para as pessoas com autismo e outras neurodivergências,
descentralizada, em todas as regiões. Porque mãe atípica no Pará hoje tá sozinha. E não
vai mais ficar.
Terceiro: quem trabalha tem que viver.
Salário-mínimo regional de dois mil e duzentos reais, conforme o cálculo do Dieese.
Dinheiro no bolso do trabalhador é comércio girando na esquina.
Tarifa zero no transporte coletivo urbano, em parceria com o governo federal. E atenção
ao transporte municipal e ao aquaviário — porque no Pará estrada também é rio.
Revisão das privatizações das rodovias paraenses e fim imediato dos pedágios. Estrada
do Pará é do povo do Pará.
Escala 5 por 2, por decreto, pra todo trabalhador terceirizado da administração estadual.
Descanso não é privilégio.
E a agricultura familiar como prioridade nas compras públicas — pra baratear a cesta
básica e fazer o dinheiro do Estado ficar aqui, na mão de quem planta.
Quarto: servidor público.
Reajuste imediato pra zerar as perdas. Recomposição anual garantida. Negociação
coletiva de verdade, como manda a Convenção 151 da OIT. E concurso público, porque
o Estado precisa de gente efetiva, não de gente insegura.
Quem cuida do povo precisa ser cuidado também.
Quinto: tolerância zero à violência contra as mulheres.
Delegacia especializada em todos os municípios do Pará. Funcionando 24 horas. Não é
das oito às duas. É 24 horas.
Programa permanente de prevenção nas escolas estaduais.
Cumprimento prioritário das medidas protetivas — porque decisão judicial que não é
cumprida não protege ninguém.
E crédito para mulher que sai de uma relação violenta, pra ela ter renda própria. Porque
mulher que tem seu dinheiro não fica presa por dependência.
Isso não é pauta de mulher. Isso é pauta de família inteira.
Sexto: educação e cultura.
Educação integral implantada de verdade. Escola reformada, com condição de o aluno
entrar e de o aluno ficar.
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A UEPA fortalecida e presente em cada uma das seis mesorregiões, com orçamento
vinculado — ensino, pesquisa e extensão no interior, não só na capital.
E no mínimo 3% da receita do Estado para a cultura. Descentralizada. Chegando no
mestre de carimbó, na quadrilha, no grupo de teatro, no produtor de tecnobrega, no
artesão. Cultura não é sobra de orçamento.
Sétimo: segurança cidadã.
Polícia presente onde o crime tá, nos centros e no interior, com atenção aos rios e às
comunidades isoladas. E, junto, o Estado presente todo dia: esporte, lazer, cultura e
formação profissional pra juventude.
Porque aonde o Estado não chega com escola, chega a bandidagem. E a gente sabe muito
bem o que é isso.
Oitavo: Amazônia de pé, e trabalho aqui dentro.
Desmatamento zero e combate implacável às atividades ilegais que ameaçam os
territórios.
Apoio de verdade à bioeconomia, ao turismo de base comunitária, à economia dos povos
indígenas, ribeirinhos e quilombolas.
E licença mineral condicionada: quer explorar o minério do Pará? Beneficia aqui. Com
mão de obra paraense.
Chega de mandar nossa riqueza embora em pedra bruta e receber de volta o buraco.
E agora eu quero falar de uma coisa que eu guardei pro fim de propósito.
VIDA MAIS 60.
Eu quero falar com quem tem sessenta anos ou mais.
Vocês construíram esse estado.
Vocês levantaram parede, deram aula, criaram filho, remaram, plantaram, venderam,
limparam, cuidaram.
E aí, um dia, o Estado brasileiro descobriu uma palavra para vocês: “idoso”. “Idosa”.
E com essa palavra veio um jeito de tratar. Fila. Espera. Balcão. Aquele tom de voz mais
alto, como se a pessoa tivesse ficado criança de novo.
Eu conheço bem isso. Minha mãe alfabetizou oito filhos na mesa da cozinha. Deu aula a
vida inteira. E depois de tudo isso, ela virou “mais uma na fila”.
Eu penso nela toda vez que eu vejo uma senhora sentada num banco de posto de saúde
desde as cinco da manhã.
Então o nosso governo vai ter um programa com nome, com endereço e com data pra
começar. Ele se chama VIDA MAIS 60.
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E eu vou dizer o que é, sem enfeite.
Primeiro: Centro de Referência Integral à Pessoa Idosa. Em todas as mesorregiões do
Pará.
E eu quero que fique claro o que isso é, porque as pessoas ouvem e pensam em asilo.
Não é asilo.
É um lugar onde tem geriatra de verdade — não é o clínico correndo em dez minutos, é
geriatra. Tem terapia ocupacional. Tem nutricionista, porque comer direito depois dos
sessenta é remédio. Tem psicólogo, porque a solidão adoece e ninguém fala disso. E tem
educação física, com professor, todo dia.
Aula de caminhada. Aula de alongamento. Musculação leve com acompanhamento.
Dança.
Porque eu não quero paraense de sessenta anos sentado esperando a morte chegar. Eu
quero paraense de sessenta, de setenta, de oitenta anos dançando carimbó.
Envelhecer não é doença. Envelhecer é a vitória de quem sobreviveu a tudo isso que está
aí.
Nosso trabalho não é cuidar do fim da vida de quem já passou dos 60. É garantir a melhor
parte dela.
Segundo: voz.
Não adianta ter o centro se ninguém pergunta o que precisa dentro dele.
Por isso nós vamos trabalhar junto com cada prefeitura pra que todo município do Pará
tenha um Conselho Municipal da Pessoa Idosa. Criado, instalado e funcionando de
verdade — reunindo, com ata, com orçamento, com poder de cobrar.
Conselho que só existe no papel é desrespeito educado.
Eu não vou ficar aqui prometendo que vocês vão ter uma velhice fácil. Ninguém pode
prometer isso.
O que eu posso prometer é que vocês não vão envelhecer sozinhos, e não vão envelhecer
sendo tratados como estorvo.
Isso é o VIDA MAIS 60.
E anota o nome, porque nós vamos cobrar de mim também.
DE ONDE VEM O DINHEIRO
Aí alguém pergunta, com razão: “Ara, e como é que paga isso?”
Ótima pergunta. Eu tenho resposta.
Primeiro: cobrando os débitos fiscais das grandes empresas. Principalmente do setor
mineral e do agronegócio. Tem devedor bilionário no Pará dormindo tranquilo enquanto
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o trabalhador tem o imposto descontado antes de receber ou quando compra um quilo de
feijão no comércio da esquina.
Com esse dinheiro nós criamos um fundo. E esse fundo financia educação, inovação e
geração de renda — com prioridade para mulheres chefes de família, jovens de 16 a 34
anos e as comunidades tradicionais e periféricas.
Segundo: revisando os incentivos fiscais. Com transparência e controle social. Toda
renúncia fiscal deste Estado vai ser aberta, item por item. Quem ganha benefício vai ter
que mostrar quantos empregos gerou.
Terceiro: auditando as obras. Toda obra com suspeita de superfaturamento vai ser
auditada, e quem desviou vai responder na forma da lei.
E quarto, o mais importante: o povo decide.
Nós vamos criar um processo permanente de participação social, em cada município e em
cada macrorregião, para definir o orçamento do Estado e o plano plurianual.
O orçamento vai deixar de ser segredo de gabinete.
O povo decide, e o governo faz.
BRASIL E PARÁ, LULA E ARA
Eu quero falar do Brasil por um instante.
Algumas pessoas dizem que nas eleições só interessa a realidade local. A cidade, a rua
que se mora. Que temas nacionais não são importantes.
Isso é um enorme engano.
Para o Pará ser transformado de verdade e se tornar um verdadeiro abrigo para seu povo,
o Brasil não pode retroceder. De jeito algum, pois isso seria cair num abismo de
intolerância e ataques aos direitos sociais tão duramente conquistados.
Desde a eleição de Lula, nas eleições de 2022, o Brasil voltou a ter comida na mesa.
Voltou a ter salário valendo alguma coisa. Voltou a ser respeitado no mundo. Isso não caiu
do céu também. Isso foi escolha de governo.
E foi feito por um homem que a vida inteira ouviu que não ia dar conta. Que não tinha
diploma. Que não tinha jeito.
Eu conheço bem essa história. Ela se parece com a minha.
O que o Lula fez no Brasil, é isso que eu quero fazer aqui: inverter a prioridade. Colocar
quem sempre foi o último em primeiro.
Lula do Brasil. Ara do Pará.
Não é slogan. É o mesmo projeto, descendo o rio.
O CHAMADO
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Eu não vim prometer milagre. Milagre é outro departamento.
Eu vim aqui assumir compromisso.
E compromisso de verdade tem nome, tem prazo e tem gente atrás para cobrar.
Reparem onde termina o nosso programa de governo.
A última proposta, a que fecha tudo, é a que garante que a pessoa idosa tenha voz em cada
município do Pará.
Quer dizer que o nosso programa termina exatamente onde ele devia terminar: no respeito
a quem começou tudo.
E é isso que eu peço que vocês levem dessa mensagem.
Não é aplauso. Aplauso acaba quando a luz apaga.
O que eu peço é conversa. Conversa na tua rua, no teu grupo, no teu trabalho, na tua
igreja, no teu barco, na fila do banco.
Uma conversa por dia. Todo dia. Até outubro.
Porque nós não temos máquina. Não temos e jamais aceitaríamos que um único centavo
do recurso público fosse utilizado para desequilibrar a disputa. Isso tem nome: é abuso
do poder político e econômico. Numa palavra: é crime e mancha qualquer eleição.
Por isso, não temos empresário pagando campanhas tão milionárias que representam um
soco na cara do povo que trabalha todos os dias para alimentar sua família honestamente.
Não temos máquina, repito. Nós temos gente. E gente falando com gente ainda é a coisa
mais forte que existe nesse estado.
Eu sei que muita gente neste estado gigante que se decepcionou. Muita gente já votou
com esperança e recebeu de volta o silêncio.
Eu não vou pedir para vocês esquecerem isso. Eu vou pedir outra coisa.
Eu vou pedir para vocês arriscarem acreditar mais uma vez.
Porque desistir também é uma escolha. E é a escolha que eles esperam da gente.
Meu pai levou água para casa dos outros a vida inteira.
Eu quero levar água, escola, hospital e dignidade para a casa de todo mundo.
E eu não vou fazer isso sozinha. Eu vou fazer com vocês.
ARA DO PARÁ.
ARA PRA CUIDAR.