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Plataforma de Governo
Araceli governadora 50
Ara do Pará. Ara pra cuidar
FEDERAÇÃO PSOL-REDE
2026
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1 - Introdução
Carta Aberta ao Povo do Pará
Antes de qualquer coisa, eu quero dizer de quem é o palanque de minha campanha.
Ele é da professora que saiu de casa às cinco da manhã para chegar na escola.
É do trabalhador da obra, do mototáxi, do barco.
É da mulher que vende no Ver-o-Peso desde que era menina.
É do rapaz que passou no vestibular e não tinha como pagar a passagem pra ir à aula.
É da mãe que tá esperando um exame há dois anos.
Este palanque é de vocês. Eu só vim aqui pra falar o que vocês já disseram pra mim, de
Belém a Santarém, de Marabá a Bragança, de Altamira a Breves, quando percorri o estado
para acolher e ser acolhida por pessoas que seguem sendo números, estatísticas e, de dois
em dois anos, títulos eleitorais.
E o que eu ouvi foi sempre a mesma coisa, com sotaques diferentes:
“Eu já não acredito mais.”
Pois é. É exatamente por isso que eu estou aqui.
DE ONDE EU VENHO
Eu não cheguei na política por convite.
Eu cheguei porque eu vi situações que queria e quero mudar.
Minha mãe criou oito filhos dando aula. Dava aula na escola de manhã, dava aula
particular à tarde, e ainda me alfabetizou dentro de casa, na mesa da cozinha, com o
caderno em cima da toalha de plástico.
Meu pai trabalhou na Cosan pá. Levava água para casa dos outros. E teve dia que faltou
água na nossa.
Eu estudei em escola pública. Eu dei aula em escola pública. Eu fui professora de História
— e quem dá aula de História aprende uma coisa cedo: nada do que tá aí caiu do céu.
Alguém decidiu.
Depois eu fui para o sindicato. Não porque era bonito. Porque era necessário.
E depois eu fui para a Assembleia Legislativa. E na Alega eu recebi uma carteirinha
escrito assim: “Deputado Araceli.”
Deputado.
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Eu não briguei por causa da carteirinha. Eu briguei porque quando o Estado não sabe nem
escrever o nome de uma mulher direito, ele também não sabe protegê-la.
Essa é a minha escola. Não é a faculdade. É a vida.
O DIAGNÓSTICO
Agora eu quero falar uma coisa séria com vocês. Sem rodeio.
Tem gente que diz que o Pará é pobre.
O Pará não é pobre.
O Pará exporta minério para o mundo inteiro. O Pará alimenta o mundo. O Pará tem
riqueza que não acaba mais.
O nosso estado gera riqueza todo santo dia. Sai daqui em navio, sai em caminhão, sai em
contêiner.
Só que o resultado dessa riqueza quando volta, volta muito pouco. E não volta pra todo
mundo.
Então não me venham dizer que falta dinheiro para ter água na torneira. Que falta dinheiro
para marcar um exame e garantir o leito. Que falta dinheiro para pagar direito o servidor.
Não falta dinheiro. Falta decisão. Falta escolha.
Dinheiro público é escolha. Toda vez que alguém diz “não tem verba”, o que essa pessoa
tá dizendo de verdade é: “eu escolhi gastar em outra coisa”.
E aí eu pergunto para vocês, olhando no olho:
Alguém já foi consultado sobre essas escolhas?
Tenho certeza de que todo mundo dirá em uma só voz: não!
Pois então. Isso vai mudar.
A COERÊNCIA
Já me perguntaram muitas vezes porque eu não tomei o caminho mais fácil.
Eu estava no meio do segundo mandato. Ia me reeleger tranquila. E eu saí.
Saí porque tinha uma escolha na minha frente: ou eu ficava com o mandato garantido, ou
eu ficava com o que eu acreditava.
Eu fiquei com o que eu acreditava.
Eu não conto isso como sofrimento. Eu conto como currículo.
Porque é isso que vocês precisam saber sobre quem pede o voto de vocês: o que essa
pessoa faz quando ficar calada é mais confortável, quando dizer “sim, senhor” pode
garantir acesso ao andar de cima.
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Relembrando minha caminhada, que é minha, eu sei, mas é de tanta gente, sempre me
vêm à cabeça os versos que abrem aquela música de Chico Buarque, imortalizada na voz
de Maria Bethânia:
“Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender”
Eu, e tantas outras e tantos outros, lutamos quando era mais fácil ceder e enfrentamos de
cabeça erguida os inimigos que se imaginavam invencíveis.
Aqui, nesta terra que já sangrou em tantas revoltas e revoluções populares, como as
guerras dos Tupinambá ou na Cabanagem, a regra é resistir e jamais se entregar.
Pois bem, minha história se conecta com esses passos que vêm de tão longe.
E eu vou dizer mais: eu não devo nada a ninguém. Não tenho padrinho. Não tenho dono.
Não tenho empresa esperando fatura no fim do mês.
Quem não deve favor, governa livre.
EU NÃO ANDO SÓ
Só que tem uma coisa que eu preciso dizer, e eu quero dizer olhando nos olhos de cada
cidadã e cidadã deste estado:
Eu não ando só.
Ninguém governa um estado do tamanho do Pará sozinha. Quem diz que governa sozinho
está mentindo, ou está se achando.
Eu tenho ao meu lado a companheira professora e lutadora social Fátima Santana, que
aceitou entrar nessa comigo na condição de vice sabendo exatamente o tamanho da briga.
Eu tenho comigo uma dupla com muita história de lutas e resistências: a assistente social
Gizelle Freitas e educador Marcelino Conti, que toparam entrar na batalha por uma vaga
no Senado, porque lutam pelo justo e pelo certo, e não optaram pelo caminho mais
tranquilo e conveniente.
E eu tenho uma chapa inteira de gente que não veio em busca de benefício pessoal. Veio
buscar mudança.
E tem mais.
Junto comigo, tem gente que colou cartaz na madrugada em campanha que a gente
perdeu.
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Tem gente que rachou a gasolina para chegar de Marabá, de Santarém, de Abaetetuba,
superando todas as dificuldades para plantar as sementes de um projeto político
verdadeiramente transformador.
Tem gente que administra grupo de WhatsApp desmentindo mentira sobre nós até de
madrugada, de graça, cansada, e ninguém nunca agradeceu.
Tem militante do PSOL e da REDE que passou anos sendo chamado de sonhador, de
radical, de perdedor.
Pois eu vou dizer uma coisa para vocês.
Vocês são a nossa máquina.
Os outros têm prefeito, têm verba, têm empresário, têm gráfica, têm horário. Nós temos
vocês.
E eu já vi essa conta virar. Eu já vi um punhado de gente teimosa mudar a história desse
estado quando ninguém apostava um centavo.
A nossa federação não é um acordo de gabinete. É um encontro de duas trajetórias que
nunca abaixaram a cabeça, e que agora estão andando juntas.
Então quando alguém disser que a gente é pouco, respondam assim: pouco é quem precisa
comprar apoio.
Nós somos poucos no dinheiro e muitos e muitas na rua.
O QUE NÓS VAMOS FAZER
Agora, esperança sem plano é conversa. Então vamos ao plano.
Primeiro: água.
Água em todas as torneiras. E o dia todo.
Nós vamos rever a privatização da Cosanpa e construir uma nova empresa pública de
saneamento — serviço de qualidade e preço justo. E vamos investir pesado em esgoto:
nas cidades, e nas comunidades rurais e ribeirinhas com os sistemas que funcionam para
aquelas realidades.
Água não é mercadoria. Água é saúde. Água é vida.
Segundo: saúde com prazo.
Chega de fila sem fim. No nosso governo, prazo máximo de sessenta dias para exame e
procedimento especializado.
Tratamento de câncer no interior — porque paraense do interior não pode ter que vender
a geladeira para fazer quimioterapia em Belém.